Depois de dois dias de debate na Assembleia Legislativa, na qual só escutou críticas, Sócrates considerou que o Executivo sai legitimado do primeiro comparecimento sem maioria absoluta na sua carreira como primeiro-ministro, iniciada em 2005.
A Constituição portuguesa não exige que o programa de Governo seja votado em sua primeira apresentação, salvo que algum partido peça uma moção de censura e o primeiro-ministro designado solicite uma de confiança.
"O Governo sai daqui com uma posse parlamentar, por isso que tem legitimidade. Este é o momento para começar a trabalhar e dar ânimo, esperança e confiança aos portugueses para resolver a crise", afirmou o primeiro-ministro após o debate.
Com só 97 deputados socialistas do total de 230 que conta a Assembleia, Sócrates não obteve apoio para seu programa.
Sócrates e Manuela Ferreira Leite, líder do principal partido da oposição, o Social Democrata (PSD), voltaram a medir forças no debate dos projetos de investimentos, que incluem, além do trem de alta velocidade com a Espanha, um novo aeroporto para Lisboa e infraestrutura sociais e na saúde.
Apesar de não ter conseguido trégua dos adversários políticos, Sócrates demonstrou firmeza no debate em defesa de seus planos e resolvido a governar Portugal em minoria.
Lembrou aos partidos rivais que tinham perdido a oportunidade de contribuir para o programa, quando rejeitaram no mês passado o convite a dialogar.
A próxima prova será a aprovação dos orçamentos do Estado antes do final de janeiro, na qual toda a oposição manifesta disposição para transformar em uma batalha.




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