Gottfried Wagner, bisneto do compositor erudito alemão Richard Wagner, criticou hoje a escolha da música deste, considerado por ele como antissemita, para execução durante os atos oficiais de comemoração do 20º aniversário da queda do muro de Berlim.
Sob a direção do maestro argentino-israelense Daniel Barenboim, a orquestra Staatskapelle e o coro da Staatsoper Unter den Linden interpretarão, diante de governantes de todo o mundo, o prelúdio da ópera Lohengrin, de Wagner.
Além disso, interpretarão a obra de Arnold Schönberg Um Sobrevivente de Varsóvia sobre a atuação exterminadora das tropas nazistas durante o levante dos judeus no gueto da capital polonesa na Segunda Guerra Mundial.
A decisão de incluir no programa "a música chauvinista de incitação à guerra do militante antissemita Wagner" ridiculariza o significado histórico do dia 9 de novembro, disse Gottfried Wagner.
O bisneto do compositor lembra que o dia 9 de novembro não é apenas o do aniversário da queda do muro de Berlim, mas também da chamada Noite dos Cristais Quebrados, quando os nazistas iniciaram em 1938 a perseguição sistemática dos judeus.
A combinação das obras de Wagner e Schönberg "me produz um profundo desgosto", escreve Gottfried, musicólogo profissional, em comunicado emitido hoje por seu escritório na cidade de Colônia, no norte da Alemanha.
Para Gottfried, "o milagre de 9 de novembro de 1989" consiste em seu desenvolvimento pacífico, motivo pelo qual "a música de Lohengrin é absolutamente inadequada".
A obra faz referência "a reminiscências de sangue e terra" e a uma "visão bélica de um Estado alemão" que deveriam ser evitadas principalmente por causa da execução em seguida da peça de Schönberg sobre o gueto de Varsóvia, afirma o bisneto de Wagner.
Gottfried Wagner, 52 anos, vive afastado da maior parte da família do compositor alemão e criticou publicamente a estreita relação de seus antepassados com o regime de Adolf Hitler.




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