Notícias » Mundo » Mundo

 Justiça dá casa de palestinos em Jerusalém Oriental a judeus
03 de novembro de 2009 16h04 atualizado às 16h50

Comentários
 

O bairro de Sheikh Jarrah, em Jerusalém Oriental, foi palco nesta terça de novos choques relacionados a um imóvel no qual residia uma família palestina depois que colonos judeus tomaram o local após uma decisão judicial.

Dezenas de colonos acompanhados de seguranças particulares irromperam no imóvel e exigiram que seus inquilinos o abandonassem imediatamente, segundo a edição digital do jornal Yedioth Ahronoth.

No mesmo bairro, 28 casas habitadas por palestinos estão em xeque há décadas, pois são reivindicadas por famílias judias as quais alegam serem donas dessas propriedades inclusive antes do estabelecimento do Estado de Israel.

Os colonos chegaram à casa tendo em mãos a decisão judicial segundo a qual são os legítimos proprietários da casa, em sentença cuja validade foi confirmada pela Polícia israelense.

"Ativistas de extrema direita se apresentaram com uma ordem judicial dizendo que eram os proprietários da casa", disse à agência EFE o porta-voz da Polícia, Miki Rosenfeld.

Segundo a fonte, agentes da ordem foram ao local para impedir confrontos entre os colonos e moradores palestinos do bairro, apoiados por ativistas de direitos humanos.

Pelo menos uma mulher, identificada pela Polícia como "ativista de esquerda", foi detida após atacar um agente.

A sentença judicial diz que a família que reside no imóvel deve deixá-lo porque não paga aluguel aos proprietários legais. Os procedimentos de despejo ainda não começaram.

As disputas pelas casas de Jerusalém Oriental começaram após a ocupação do bairro por parte de Israel em 1967, quando um comitê de judeus sefarditas apresentou documentos segundo os quais diversas propriedades locais pertenciam a famílias judias antes de 1948, ano do estabelecimento do Estado judeu.

No entanto, os moradores palestinos, apoiados pelas autoridades jordanianas, alegaram que as propriedades eram suas.

Em 1972, um tribunal israelense determinou que as propriedades pertenciam a judeus, mas que as famílias palestinas que já viviam ali poderiam permanecer nas casas como inquilinos caso aceitassem pagar os proprietários originais.

A maior parte das famílias afetadas rejeitou essa resolução e, desde então, mantêm uma batalha legal para comprovar sua propriedade sobre os imóveis.

Nos últimos anos, a maior parte dos residentes palestinos esgotou todas as opções legais. Com isso, as autoridades começaram a despejá-los.

Os palestinos reclamam de que estas medidas se destinam a "judaicizar" Jerusalém Oriental, onde pretender estabelecer a capital de um Estado palestino.

EFE
EFE - Agência EFE - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização escrita da Agência EFE S/A.