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 Decisão de Tribunal põe nova pressão sobre Berlusconi
28 de outubro de 2009 12h21

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Rachel Donadio
Do New York Times

Em mais um golpe contra o controvertido primeiro-ministro da Itália Silvio Berlusconi, um tribunal de Milão manteve na terça-feira a condenação de um advogado britânico acusado de ter recebido propina para protegê-lo. Um tribunal de apelações de Milão manteve a determinação da instância inferior de que o advogado, David Mills, havia recebido US$ 600 mil em troca de falsos testemunhos em dois processos relacionados a empresas estrangeiras criadas por Mills na década de 1990 para a Fininvest, uma holding de Berlusconi.

A decisão coloca todas as atenções sobre Berlusconi, que agora enfrenta um processo separado no mesmo caso após, no início deste mês, o Tribunal Constitucional da Itália ter declarado ser inconstitucional uma lei que garantia a ele e às quatro maiores autoridades do Estado imunidade judicial.

Berlusconi acusou repetidas vezes magistrados e, mais recentemente, o Tribunal Constitucional de ter um viés de esquerda e de conspirar contra ele. Na terça-feira, o advogado de Berlusconi, Niccolo Ghedini, chamou a decisão de "ilógica" e disse que ela foi tomada ¿em tempo recorde, negando qualquer prova e recusando qualquer possibilidade de defesa", noticiou a agência ANSA.

O tribunal manteve a sentença de quatro anos e seis meses para Mills, mas ele só cumprirá pena na prisão se uma decisão definitiva do caso ocorrer até 2010, quando acabam os 10 anos de limite previsto em lei. Um advogado de Mills, Federico Cecconi, disse que seu cliente vai recorrer à mais alta corte da Itália.

O julgamento de Berlusconi no caso deve começar do zero, com uma nova corte, e o prazo limite expira em 2011. Promotores em Milão começaram a investigar Mills após um alerta de autoridades de Londres, onde o contador de Mills manifestou preocupação com possível uso impróprio de fundos.

Mills havia escrito uma carta a seu contador dizendo que havia testemunhado a favor de Berlusconi. "Não disse nenhuma mentira, mas passei por situações complicadas, para colocar de uma forma branda", escreveu na carta, que foi amplamente publicada na imprensa. Mills disse a promotores em Milão que a carta era precisa. Ele mais tarde testemunhou que os US$ 600 mil não vieram de colaboradores de Berlusconi, mas de outra fonte.

Em entrevista para a CNN em maio, Berlusconi chamou a primeira decisão sobre Mills de "escandalosa" e chamou os juízes de "militantes esquerdistas". Ele disse que Mills havia recebido os US$ 600 mil não da Fininvest, mas de um negociante de armas italiano pela venda de dois navios, e que ele teve a "ideia brilhante" de chamá-los de presente para evitar pagar impostos no Reino Unido.

Um processo separado no qual a empresa de Berlusconi Mediaset é acusada de fixar preços em direitos televisivos deve ser concluída no mês que vem com Berlusconi como réu.

Tradução: Amy Traduções

The New York Times
The New York Times