O projeto de lei prevê, liberdade total para abortar em um prazo de 14 semanas de gravidez
Foto: EFE
Mais de 1 milhão de pessoas se manifestaram neste sábado em Madri contra o projeto de liberalização do aborto do governo socialista aos gritos de "aborto não! sim à vida", segundo diversas fontes. Os organizadores anunciaram várias estimativas de participação até ser fixada, definitivamente, em 2 milhões de pessoas, enquanto que a região de Madri, governada pelos conservadores, divulgou a cifra de 1,2 milhão de participantes.
A manifestação começou às 17h locais (12h de Brasília), tendo sido concluída no centro da capital espanhola duas horas depois. Jornalistas no local estimaram em várias centenas de milhares o número de pessoas que participaram da grande marcha. O projeto de lei socialista, que reforma uma lei de 1985, prevê, principalmente, liberdade total para abortar em um prazo de 14 semanas de gravidez.
Atualmente, o aborto é autorizado apenas em caso de estupro (até 12 semanas de gravidez), má-formação do feto (22 semanas) ou "perigo para a saúde física ou mental da mãe" (sem limitação de tempo). Uma verdadeira maré humana invadiu o centro da capital espanhola: pessoas idosas, pais e mães levando crianças em carrinhos, grupos de adolescentes com camisetas pintadas e faixas vermelhas com os dizeres "Direito à vida", além de religiosas e sacerdotes.
O projeto de lei aprovado no dia 26 de setembro pelo governo e que será debatido a partir de novembro no Parlamento, se inspira na legislação em vigor na maior parte dos países da União Europeia. Um grande cartaz abria a manifestação proclamando: "Cada vida conta".
A ministra socialista da Igualdade, Bibiana Aido, uma das incentivadores do polêmio projeto de lei, exprimiu "respeito total" à passeata, afirmando, no entanto, que "ninguém tem o monopólio da moral". "Nenhuma mulher pode ser penalizada por tomar uma decisão tão difícil como é a de fazer um aborto", declarou.
A manifestação foi convocada pelo Fórum da Família, uma plataforma de organizações católicas conservadoras, que já havia levado centenas de milhares de manifestantes às ruas em 2005 contra a lei autorizando o casamento homossexual. O projeto contém dispositivo muito polêmico, mesmo entre o eleitorado de esquerda: menores de 16 e 17 anos poderão abortar livremente sem o consentimento nem informação prévia dos pais.

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