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 Morales acusa agência dos EUA de fomentar conflitos por terra
01 de outubro de 2009 16h22 atualizado às 16h51

O presidente da Bolívia, Evo Morales, acusou nesta quinta-feira a agência americana de cooperação ao desenvolvimento internacional (Usaid) de provocar conflitos por terras entre grupos étnicos e camponeses, por ter o "interesse político" de enfraquecer o governo local.

"Onde há enfrentamento, é impulsionado pela Usaid", afirmou hoje o presidente, ao ser consultado pela imprensa internacional sobre o confronto entre indígenas e cocaleiros no fim de semana, que terminou com um morto e vários feridos.

Os enfrentamentos se produziram no Parque Nacional Isiboro Sécure, onde os indígenas rejeitaram a presença de camponeses que de forma ilegal semeavam coca na reserva.

Os cultivos de coca foram destruídos pelas forças policiais esta semana.

Morales ressaltou que a maioria dos conflitos por terra no país é solucionada a partir do diálogo, mas denunciou que a Usaid está por trás dos casos que derivam em enfrentamentos.

O presidente disse que a embaixada dos EUA planejou, durante a gestão do diplomata Philip Goldberg, provocar vários problemas sociais no país, tanto pelas questão das terras como por outros assuntos.

Morales sustenta a tese de que Goldberg, expulso há um ano da Bolívia, conspirava junto à oposição, o que foi negado por Washington.

No entanto, o presidente boliviano também reconheceu que os conflitos entre os indígenas e os novos assentamentos camponeses podem estar sendo estimulados por narcotraficantes interessados em impulsionar cultivos de coca.

"Há problema de narcotráfico, não podemos negá-lo, mas também há problemas de caráter político, interno e externo, por isso mencionei o tema da Usaid", insistiu Morales, ao indicar que conta com documentação que prova sua denúncia.

Também assegurou que nesses dias as forças de segurança vão alcançar os 5 mil hectares de coca erradicados, que é o número mínimo fixado na lei antidroga para a destruição de cultivos do produto usado para a elaboração da cocaína.

Morales, que ainda é dirigente da federação de produtores de coca de Chapare, assinalou que a redução do plantio se vê dificultado porque há camponeses que entendem a necessidade dessa diminuição, enquanto outros não.

O presidente coloca a racionalização como um passo importante para conseguir que a comunidade internacional descriminalize o tradicional consumo da folha de coca, largamente praticado pelos camponeses na Bolívia mediante o mascado.

EFE
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