Notícias » Mundo » Mundo

 Há 48 anos, começava construção do Muro de Berlim
13 de agosto de 2009 09h40 atualizado às 13h17

Imagem mostra o Muro de Berlim em 1973, próximo ao Portão de Brandemburgo, símbolo da capital alemã. Foto: AFP

Imagem mostra o Muro de Berlim em 1973, próximo ao Portão de Brandemburgo, símbolo da capital alemã
Foto: AFP

Na manhã do dia 13 de agosto de 1961, Berlim amanheceu divida. A decisão de construir um muro para separar o lado oriental e o ocidental havia sido tomada na noite anterior e começava a virar realidade. Nesta quinta-feira, 48 anos após a data, o Muro de Berlim não existe mais, mas ainda é reconhecido como o principal símbolo da Guerra Fria.

Ao todo, a estrutura contava com 66,5 km de grades de metal, 302 torres de observação, 127 redes metálicas electrificadas com alarme e 255 pistas para cães de guarda. De acordo com ONGs alemãs, 136 pessoas morreram tentando atravessar o muro, entre 1961 e 1989.

Cidade dividida
Dos alambrados provisórios em que seus setores ficaram separados, ao fim da Segunda Guerra Mundial, passou-se a construir o que seriam os 155 quilômetros de muro de concreto, de até quatro metros de altura, que moldou a metade oeste da cidade.

"Ninguém tem a intenção de levantar um muro", afirmara o chefe do Estado da República Democrática Alemã (RDA), Walter Ulbricht, dois meses antes. Em 13 de agosto, um domingo, ficou claro que a realidade era outra e que o regime construiria o que foi batizado cinicamente de Muro de Proteção Antifascista.

Os alambrados provisórios eram um corredor atravessado todos os dias pelos cidadãos germânico-orientais em direção à parte oeste, para não voltar para casa à noite. Em lugar disso foi construído o Muro que, nos anos posteriores e até sua queda, foi sendo reforçado até se transformar em fronteira quase inviolável.

Da parede inicial se passou a um muro duplo, com um corredor interior de 100 m de largura, em alguns pontos, equipado com torres de vigilância e com 11,5 mil soldados com ordem de atirar contra quem tentasse atravessá-lo. A Bernauer Strasse, uma das ruas que ficou dividida, conserva um desses lances de muro duplo, junto ao qual há um centro de documentação.

O fragmento mais longo, de 1,3 km, é o conhecido como East Side Gallery, onde artistas de todo o mundo estamparam suas pichações após a queda do Muro, repintado agora por causa da proximidade de outra comemoração muito mais alegre: o 20º aniversário da queda do Muro, em novembro.

Na Haus der Kulturen der Welt - a Casa das Culturas do Mundo, um pavilhão de congressos do lado ocidental apelidado "A Ostra grávida" por sua arquitetura singular - foi inaugurado neste aniversário a mostra "Ostzeit. Geschichten aus einem vergangenen Land" - "Tempo do Leste. Histórias de um país do passado".

A exposição inclui imagens de cinco fotógrafos da agência "Ostkreuz" -Sibylle Bergemann, Ute Mahler, Werner Mahler, Harald Hauswald e Maurice Weiss. Trata-se de um grupo de profissionais germânico-orientais - com exceção de Weiss, do oeste, mas que se juntou aos demais -, que, a meio caminho entre a reportagem gráfica e a foto artística, recriaram a vida diária na RDA.

As imagens vão das concentrações oficiais do Primeiro de Maio, por ordem do regime, a encontros entre dissidentes e shows de rock na semiclandestinidade. De um lado, Egon Krenz, último chefe do Estado e do partido da RDA, conversando com Margot Honecker, a mulher de seu antecessor, Erich Honecker, em um ato oficial de 1980. Do outro, participantes do mesmo desfile, voltando para casa com o olhar perdido.

As fotos, em rigoroso preto-e-branco, formam um conjunto de tom inevitavelmente melancólico. "Nem tudo foi triste, também nos divertimos, víamos futebol, namorávamos", explicou à Agência Efe Hauswald, para quem sua série de fotos tenta refletir "o lado engraçado enterrado em tanta tristeza germânico-oriental".

Em sua maioria, as fotografias correspondem às últimas duas décadas de existência da RDA. Fecha a exposição uma série de Weiss, tirada em 11 de novembro de 1989, dois dias depois da queda do Muro, com centenas de berlinenses passeando pelas ruas, de um lado e do outro, sem acreditar ainda que a divisão acabara.

Como registro final, o pavilhão vazio, com o cartaz do Congresso Extraordinário do Partido Socialista Unificado (SEDE), de dezembro desse ano, com a RDA a caminho da extinção.

Redação Terra
  1. Imagem mostra o Muro de Berlim em 1973, próximo ao Portão de Brandemburgo, símbolo da capital alemã

    AFP
    Foto: AFP

  2. O artista russo Dmitry Vrubel pinta novamente uma imagem histórica no Muro, na chamada East Side Gallery, em Berlim

    Getty Images
    Foto: Getty Images

  3. Tropas americanas no Checkpoint Charlie, uma das principais passagens entre o lado oriental e ocidental, em 1961

    Getty Images
    Foto: Getty Images

  4. Um artista da Alemanha Oriental decora o Muro de Berlim pela primeira vez, em 1989

    AFP
    Foto: AFP

  5. Em 1989, alemães comemoram a queda do Muro de Berlim

    Getty Images
    Foto: Getty Images

  6. Imagem de 1989 mostra o Muro de Berlim, símbolo da Alemanha dividida

    AFP
    Foto: AFP

  7. Carros adaptados permitiram a fuga de várias pessoas para o lado ocidental

    Getty Images
    Foto: Getty Images

  8. Em foto de 1965, o Checkpoint Charlie era um dos principais pontos de passagem entre os lados ocidental e oriental

    AFP
    Foto: AFP

  9. Soldados reforçam a construção do muro próximo ao Portão de Brandemburgo, em 1973

    AFP
    Foto: AFP

  10. A foto de 1976 mostra uma cruz de madeira colocada junto ao muro, em memória de um jovem que foi morto quando tentava fugir

    AFP
    Foto: AFP

  11. Uma família foge para o lado ocidental antes que Berlim fosse dividida pelo muro, em 1961

    AFP
    Foto: AFP

  12. A imagem mostra o muro recém-construído, em 1961

    AFP
    Foto: AFP

  13. Policiais observam a construção do Muro de Berlim, em 1961

    AFP
    Foto: AFP

  14. Pessoas visitam um trecho remanescente do Muro de Berlim, 48 anos depois do início de sua construção

    EFE
    Foto: EFE

  15. No aniversário do início de sua construção, um pedaço remanescente do Muro de Berlim é enfeitado por uma rosa

    EFE
    Foto: EFE

  16. Pessoas fotografam um dos poucos trechos remanescentes do Muro de Berlim

    EFE
    Foto: EFE

  17. Manifestantes deitados no chão protestam em memória às pessoas que foram mortas ao tentar atravessar o Muro de Berlim

    AFP
    Foto: AFP

/mundo/foto/0,,00.html