Imagem mostra o Muro de Berlim em 1973, próximo ao Portão de Brandemburgo, símbolo da capital alemã
Foto: AFP
Na manhã do dia 13 de agosto de 1961, Berlim amanheceu divida. A decisão de construir um muro para separar o lado oriental e o ocidental havia sido tomada na noite anterior e começava a virar realidade. Nesta quinta-feira, 48 anos após a data, o Muro de Berlim não existe mais, mas ainda é reconhecido como o principal símbolo da Guerra Fria.
Ao todo, a estrutura contava com 66,5 km de grades de metal, 302 torres de observação, 127 redes metálicas electrificadas com alarme e 255 pistas para cães de guarda. De acordo com ONGs alemãs, 136 pessoas morreram tentando atravessar o muro, entre 1961 e 1989.
Cidade dividida
Dos alambrados provisórios em que seus setores ficaram separados, ao fim da Segunda Guerra Mundial, passou-se a construir o que seriam os 155 quilômetros de muro de concreto, de até quatro metros de altura, que moldou a metade oeste da cidade.
"Ninguém tem a intenção de levantar um muro", afirmara o chefe do Estado da República Democrática Alemã (RDA), Walter Ulbricht, dois meses antes. Em 13 de agosto, um domingo, ficou claro que a realidade era outra e que o regime construiria o que foi batizado cinicamente de Muro de Proteção Antifascista.
Os alambrados provisórios eram um corredor atravessado todos os dias pelos cidadãos germânico-orientais em direção à parte oeste, para não voltar para casa à noite. Em lugar disso foi construído o Muro que, nos anos posteriores e até sua queda, foi sendo reforçado até se transformar em fronteira quase inviolável.
Da parede inicial se passou a um muro duplo, com um corredor interior de 100 m de largura, em alguns pontos, equipado com torres de vigilância e com 11,5 mil soldados com ordem de atirar contra quem tentasse atravessá-lo. A Bernauer Strasse, uma das ruas que ficou dividida, conserva um desses lances de muro duplo, junto ao qual há um centro de documentação.
O fragmento mais longo, de 1,3 km, é o conhecido como East Side Gallery, onde artistas de todo o mundo estamparam suas pichações após a queda do Muro, repintado agora por causa da proximidade de outra comemoração muito mais alegre: o 20º aniversário da queda do Muro, em novembro.
Na Haus der Kulturen der Welt - a Casa das Culturas do Mundo, um pavilhão de congressos do lado ocidental apelidado "A Ostra grávida" por sua arquitetura singular - foi inaugurado neste aniversário a mostra "Ostzeit. Geschichten aus einem vergangenen Land" - "Tempo do Leste. Histórias de um país do passado".
A exposição inclui imagens de cinco fotógrafos da agência "Ostkreuz" -Sibylle Bergemann, Ute Mahler, Werner Mahler, Harald Hauswald e Maurice Weiss. Trata-se de um grupo de profissionais germânico-orientais - com exceção de Weiss, do oeste, mas que se juntou aos demais -, que, a meio caminho entre a reportagem gráfica e a foto artística, recriaram a vida diária na RDA.
As imagens vão das concentrações oficiais do Primeiro de Maio, por ordem do regime, a encontros entre dissidentes e shows de rock na semiclandestinidade. De um lado, Egon Krenz, último chefe do Estado e do partido da RDA, conversando com Margot Honecker, a mulher de seu antecessor, Erich Honecker, em um ato oficial de 1980. Do outro, participantes do mesmo desfile, voltando para casa com o olhar perdido.
As fotos, em rigoroso preto-e-branco, formam um conjunto de tom inevitavelmente melancólico. "Nem tudo foi triste, também nos divertimos, víamos futebol, namorávamos", explicou à Agência Efe Hauswald, para quem sua série de fotos tenta refletir "o lado engraçado enterrado em tanta tristeza germânico-oriental".
Em sua maioria, as fotografias correspondem às últimas duas décadas de existência da RDA. Fecha a exposição uma série de Weiss, tirada em 11 de novembro de 1989, dois dias depois da queda do Muro, com centenas de berlinenses passeando pelas ruas, de um lado e do outro, sem acreditar ainda que a divisão acabara.
Como registro final, o pavilhão vazio, com o cartaz do Congresso Extraordinário do Partido Socialista Unificado (SEDE), de dezembro desse ano, com a RDA a caminho da extinção.
- Redação Terra

Foto: AFP 
Foto: Getty Images 











Foto: EFE 



Assista agora »
Assista agora »
