A líder do movimento democrata birmanês, Aung San Suu Kyi, aguarda hoje tranquila e atrás dos muros da prisão de segurança máxima de Insein, o veredicto do julgamento que seus simpatizantes cham que pode significar o prolongamento do cativeiro da opositora.
O julgamento de Suu Kyi, a Nobel da Paz que se transformou na maior pesadelo da Junta Militar birmanesa, ficou pronto para sentença na terça-feira, depois do obscuro processo realizado pelo tribunal especial dentro do complexo penitenciário.
"Aung San Suu Kyi está tranquila e centrada no veredicto", disse Nyan Win, um dos advogados que a defenderam e porta-voz da Liga Nacional pela Democracia (LND).
Suu Kyi, 64 anos, está confinada em um edifício de dois andares de Insein, com aparelho de ar-condicionado e um refrigerador onde guarda alguns mantimentos enviados por simpatizantes, e todos os dias recebe a edição do jornal New Light of Myanmar, órgão de propaganda do regime militar.
"Se o veredicto do tribunal for de culpabilidade, apelaremos", disse o advogado.
A Junta Militar, por meio de um editorial publicado hoje pelo jornal estatal, advertiu à população que não tolerará nenhum ato de incitação ao protesto contra o veredicto, e lembrou que as pessoas que cumprem penas de prisão "não têm direito de votar nem de se apresentar como candidatos em eleições".
A líder da LND, detida pela primeira vez em 1989 e que já passou 14 dos últimos 20 anos retida, foi julgada por infringir a ordem de prisão domiciliar que cumpria há quase seis anos e que lhe proibia qualquer contato com o exterior.
Caso seja declarada culpada, Suu Kyi pode ser condenada a até cinco anos de prisão, e com isso terá proibida sua participação nas eleições legislativas que os generais planejam realizar em 2010.

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