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 Rafsanjani pede que iranianos recuperem confiança após eleições
17 de julho de 2009 07h28 atualizado às 12h29

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O aiatolá Ali Akbar Hashemi Rafsanjani discursa na Universidade de Teerã Foto: Reuters

O aiatolá Ali Akbar Hashemi Rafsanjani discursa na Universidade de Teerã
17 de julho de 2009
Foto: Reuters

O aiatolá Ali Akbar Hashemi Rafsanjani destacou nesta sexta a necessidade de que o povo iraniano recupere a confiança perdida após as eleições presidenciais passadas, e pediu às autoridades para libertar os detidos durante os distúrbios ocorridos após o pleito.

No sermão oficial da sexta-feira na Universidade de Teerã, Rafsanjani - considerado o principal apoio do líder opositor Mir Hussein Moussavi - apresentou uma série de sugestões para acabar com a situação atual no Irã, à qual qualificou de "crise".

"A desconfiança gerada nas eleições está desgastando o povo", disse, perante dezenas de milhares de pessoas reunidas para o sermão, após o qual os partidários de Moussavi, que consideram fraudulentos os resultados eleitorais, tinham convocado uma manifestação.

O protesto terminou em confrontos entre os manifestantes e a polícia, que utilizou gás lacrimogêneo e realizou várias detenções.

"Um grupo não tem dúvidas de que ganharam e estão no poder (os ultraconservadores do presidente Mahmoud Ahmadinejad), mas há outro grupo, que não é pequeno em seu número, que tem dúvidas (a oposição)", disse Rafsanjani, ao ressaltar que, sem o povo a república islâmica "não continuará de pé".

O aiatolá disse que "tudo neste povo depende do voto do povo", e pediu a libertação dos detidos e indenizações para as vítimas dos distúrbios que abalaram o país após as eleições, que deixaram pelo menos 20 mortos, centenas de feridos e mais de mil detidos.

O ex-presidente iraniano disse também que as eleições começaram de forma muito positiva a princípio, mas terminaram mal, devido à desconfiança gerada nos debates televisionados e culpou a televisão iraniana pela criação desta desconfiança.

"Peço a todas as entidades, às forças de segurança, à polícia, ao governo e aos insatisfeitos a agir dentro da lei, de tal forma que a confiança volte ao povo", disse Rafsanjani, que pediu mais liberdade para expressar todas as opiniões.

O ex-presidente iraniano e atual chefe da Assembleia de Especialistas, cujas palavras foram transmitidas ao vivo pela rádio pública, ressaltou também a importância de deixar a imprensa agir dentro do marco da lei.

As declarações de Rafsanjani foram muitas vezes interrompidas pelo grito de apoio ou contra dos presentes no sermão, cuja participação foi qualificada de "sem precedentes" pela agência Ilna.

Rafsanjani insistiu em que, hoje em dia, o país precisa mais do que nunca de unidade perante "tantos perigos dos que querem chantagear e tirar de nossas mãos todas as conquistas tecnológicas que o Irã conseguiu".

Segundo testemunhas, muitos participantes estavam com símbolos de cor verde, que representa os partidários de Moussavi, que foram ao sermão em meio à grande presença das forças Basij.

As testemunhas afirmam que, enquanto os partidários do regime conhecidos como Basij estavam dentro da universidade com seus parentes, os partidários de Moussavi ficaram do lado de fora, porque não quiseram entregar seus telefones celulares antes de entrar na universidade.

EFE
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