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 Obama pode não ser o melhor amigo da América Latina
18 de abril de 2009 08h07 atualizado às 08h13

Para especialista, encontros de Obama com líderes latino-americanos como Hugo Chávez serão o grande destaque da Cúpula das Américas. Foto: Reuters

Para especialista, encontros de Obama com líderes latino-americanos como Hugo Chávez serão o grande destaque da Cúpula das Américas
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Moreno Osório

Direto de Porto Alegre


No início da semana, Barack Obama anunciou a flexibilização do embargo a Cuba, colocando fim a décadas de isolamento total da ilha em relação ao poderoso vizinho. Com o gesto, o presidente americano quis dizer ao mundo que está aberto ao diálogo, que é flexível e que aceita a soberania das nações. Mas a decisão de diminuir restrições antes que o assunto fosse plenamente discutido na Cúpula das Américas, que começou ontem em Trinidad e Tobago, demonstra também uma postura unilateral de quem deseja manter a soberania dos Estados Unidos no mundo. Uma ação de quem, apesar de tudo, pensa em defender seus interesses.

"Obama não está disposto a permitir que os Estados Unidos deixem de ser a maior potência mundial, e isso está diretamente relacionado ao posicionamento sobre o embargo ao governo de Raúl Castro", afirma Daniel Santiago Chaves, historiador e pesquisador do Laboratório do Tempo Presente, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Por isso, para o especialista, talvez o líder dos Estados Unidos não seja o "melhor amigo" da América Latina. "A opinião pública ainda está apaixonada por Obama e parece acreditar que ele é a porta de entrada para a multipolaridade". Para Chaves, não são bem assim que as coisas funcionam.

"Ao antecipar a decisão sobre o embargo, Obama quis dizer algo como 'essa é a minha posição, aceitam ou não?'", analisa o historiador. A oferta, no entanto, não vai evitar que Obama ouça reclamações e críticas durante o encontro em Port of Spain. "Existem muitas concessões a serem feitas, vai haver debate, vai haver discussão, até porque essa medida é perfumaria, até Fidel Castro já disse isso", complementa Chaves. Para ele, o "embate" entre a grande potência e seus viznhos latino-americanos será o grande momento da cúpula. "Principalmente o encontro de Obama com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez".

Chaves chama a atenção para a postura dos líderes latino-americanos diante da nova liderança americana, principalmente os alinhados com Chávez. "Obama, apesar de querer defender seus interesses, representa uma negociação maleável, flexível. Muito diferente de seu antecessor, George W. Bush. Para os mais 'agressivos' era muito mais fácil atacar um texano intolerante do que um negro, advogado e sindicalista", compara. Ou seja, o discurso inflamado de Hugo Chávez e Evo Morales talvez já não funcione com Obama. Diante da expectativa para esses encontros, a própria pauta elaborada pela Cúpula fique de lado.

E a Cúpula?
No seu site na Internet, a Cúpula das Américas apresenta "prosperidade humana, energia, segurança, mudança climática e desenvolvimento sustentável" como os temas principais da sua quinta edição. No entanto, esses tópicos passam longe da grande mídia e, fora alguma declaração esparsa, sequer se ouviu algum líder nacional comentando esses assuntos. Diante da importância do encontro de Obama com os líderes latino-americanos e tendo Cuba na pauta da última semana, as discussões do evento parecem ter ficado em segundo plano.

Daniel Santiago Chaves vai além e explica que o motivo é mais institucional do que factual. "A Cúpula das Américas é um fórum voltado para as tendências autônomas da América do Sul, mas é um tipo de diálogo que ainda precisa amadurecer", diz. De qualquer maneira, o fato é que Cuba está no centro da agenda (apesar de o ministro do Comércio e Indústria de Trinidad e Tobago, Mariano Browne, ter dito o assunto não está previsto nas sessões plenárias) e deve gerar o primeiro desafio cara-a-cara para o centro das atenções do evento, Barack Obama.

Redação Terra
  1. O presidente americano, Barack Obama, concede coletiva de imprensa antes do encerramento da 5ª Cúpula das Américas. Obama prometeu neste domingo uma nova era de cooperação dos Estados Unidos com a América Latina

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  2. Chefes de Estado e de Governo que participam da 5ª Cúpula das Américas posam para foto oficial do encontro em Port-of-Spain

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  3. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (de costas) aperta o nariz do presidente venezuelano, Hugo Chávez, durante uma das sessões de fotos oficiais da 5ª Cúpula das Américas, em Port-of-Spain

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  4. Chávez entrega livro para Obama durante reunião da Unasul, em Port of Spain

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  5. Obama discursa durante abertura da Cúpula das Américas

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  6. Obama e Chávez se cumprimentam durante encontro na Cúpula das Américas

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  7. Cristina Kirchner pediu a inclusão de Cuba à OEA

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  8. Hugo Chávez bate continência em sua chegada à cerimônia de abertura da cúpula

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  9. Obama (centro) participa da cerimônia de abertura ao lado dos presidentes da Guatemala, Alvaro Colom (esq.), e da Guyana, Bharrat Jagdeo (dir.)

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  10. A secretária americana de Estado, Hillary Clinton (esq.), cumprimenta colegas durante a abertura da cúpula

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  11. O primeiro-ministro canadense, Stephen Harper, chega a hotel em Port of Spain

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  12. O boliviano Evo Morales chega acompanhado de sua comitiva em Trinidad e Tobago

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  13. O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, desembarca em Port of Spain

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  14. O presidente venezuelano, Hugo Chávez, conversa com jornalistas

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  15. O mexicano Felipe Calderón chega a Port of Spain após receber Obama em seu país

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  16. A presidente chilena, Michelle Bachelet, é recepcionada em Port of Spain

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  17. O paraguaio Fernando Lugo também está em Trinidad e Tobago para a cúpula

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  18. O presidente colombiano, Álvaro Uribe, abotoa casaco

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  19. Luiz Inácio Lula da Silva sorri ao chegar ao hotel onde ficará hospedado

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  20. Cristina Kirchner acena para fotógrafos ao chegar a hotel em Porto de Espanha

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  21. Obama acena ao desembarcar no aeroporto de Port of Spain

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