O ex-presidente Alberto Fujimori é julgado em tribunal de Lima
Foto: EFE
A Justiça peruana condenou na terça-feira o ex-presidente Alberto Fujimori a 25 anos de prisão pela morte de 25 pessoas durante seu governo na década de 90, em uma sentença histórica que marcaria um precedente para casos de abusos aos direitos humanos em todo o mundo.
Os promotores haviam solicitado 30 anos de prisão a Fujimori pelas acusações de lesões graves, homicídio qualificado e seqüestro sob a modalidade de "autor mediato" ou de exercer o "domínio" sobre o esquadrão militar que matou as vítimas por supostamente serem guerrilheiros.
Fujimori, 70 anos, negou as acusações e sua defesa havia adiantado que apelaria de qualquer sentença condenatória.
"Com esta sentença (...) o tribunal peruano demonstrou ao mundo que até ex-chefes de Estado não podem permanecer impunes após cometer sérios crimes," disse a jornalistas Maria McFarland, da organização internacional Human Rights Watch, ao comentar condenação de Fujimori, antes de saber quantos anos ele pegaria.
Enquanto a secretária da corte lia o veredicto, a mãe de uma das vítimas chorava e a filha do ex-presidente, a deputada Keiko Fujimori, mostrava-se impassível e fazia anotações em um caderno.
A condenação pode repercutir no ambiente político peruano, já que pode se converter em um antecedente que permita abrir investigações sobre abusos aos direitos humanos em governos anteriores ao de Fujimori, como o do atual presidente, Alan García, nos anos 1980.
García é acusado pela morte de centenas de presos rebeldes durante seu primeiro governo, entre 1985 e 1990, após uma violenta incursão militar para sufocar um motim numa prisão, e pela morte de até 90 agricultores por militares.
Além disso, a condenação poderá distanciar o grupo político de Fujimori, que eventualmente apoia o governo no Congresso, do partido governista APRA, tornando mais difícil o caminho de García a pouco mais da metade do seu mandato.
Na leitura da sentença, a corte disse que está provado que "Fujimori estruturou e executou uma estratégia político-militar paralela à que preconizava publicamente cujo objetivo era a eliminação dos terroristas, decisão que se articulava por meio de seu assessor (Vladimiro) Montesinos Torres e do aparato organizado de poder que formou".
Embora a guerra interna no Peru tenha deixado cerca de 69 mil mortos e desaparecidos ao longo de mais de duas décadas de enfrentamentos entre a guerrilha e as forças de segurança, os presidentes nunca foram processados por excessos cometidos pelas Forças Armadas.
Fujimori chegou a desfrutar de uma grande popularidade por ter fortalecido a economia do país e derrotado a insurgência maoísta Sendero Luminoso, mas um escândalo de corrupção derrubou seu governo em 2000 e ele escapou para o exílio no Japão.

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