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 Premiê iraquiano e ONU comemoram eleição pacífica
31 de janeiro de 2009 16h49 atualizado às 17h57

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Eleitor mostra dedo manchado com tinta após votar em Sinjar Foto: Reuters

Eleitor mostra dedo manchado com tinta após votar em Sinjar
31 de janeiro de 2009
Foto: Reuters

Os iraquianos realizaram neste sábado as eleições mais pacíficas desde a queda de Saddam Hussein, elegendo os membros dos conselhos provinciais sem que nenhum grande ataque tenha sido reportado no país. "Os dedos roxos voltaram para construir o Iraque", disse o premiê Nuri al-Maliki em discurso na televisão após o fechamento das urnas, referindo-se à tinta usada para marcar os eleitores que já votaram.

A eleição de 2005 ocorreu em meio a uma onda de ataques inspirados pela Al-Qaeda, e foi sucedida por um aumento da violência sectária entre a minoria sunita, que já teve o poder no país, e a maioria xiita. Esses ataques diminuíram dramaticamente desde 2007. O porta-voz do Ministério da Defesa, major-general Mohammed al-Askary, disse sobre as eleições deste sábado que "nenhuma falha de segurança aconteceu durante a votação. As coisas aconteceram como planejávamos e esperávamos".

As forças iraquianas estão determinadas a mostrar que podem manter a segurança do país no momento em que os soldados norte-americanos começam a deixar o local, seis anos depois da invasão que derrubou Saddam. Maliki, que se vê responsável pela melhora na segurança, quer usar a eleição para construir uma base de poder nas províncias antes das eleições nacionais deste ano. Grupos sunitas que boicotaram as últimas eleições esperam ganhar uma parcela do poder regional.

A atmosfera era parecida com a de um feriado em muitas partes do país. Em Bagdá, cidade que normalmente sofre com o trânsito, as crianças aproveitavam a proibição de circulação de carros para jogar futebol nas ruas. No único incidente reportado no país, morteiros foram lançados na cidade natal do ex-ditador Saddam Hussein, Tikrit, mas ninguém ficou ferido. Além disso, soldados iraquianos mataram a tiros uma pessoa e feriram outra após uma briga em uma favela do bairro de Sadr City, em Bagdá.

Soldados norte-americanos mataram dois policiais iraquianos em uma operação em Mosul no começo da manhã, antes da abertura das urnas. As circunstâncias do caso não foram completamente explicadas. Além disso, cinco candidatos foram assassinados durante a campanha para a votação ¿três deles a apenas dois dias das eleições.

"Aqueles que quiseram derrubar o processo eleitoral como um todo simplesmente não foram capazes de sair do chão. Isso... é um sinal muito positivo", disse Toby Doge, especialista em assuntos iraquianos da Universidade de Londres.

Os 140 mil militares dos Estados Unidos no Iraque mantinham patrulhas nas ruas e helicópteros no ar, mas a maior parte mantinha-se discreta. Uma coluna de blindados foi vista em uma rua de Bagdá entre crianças e pedras que haviam sido colocadas na rua para desenhar gols de um campo de futebol.

"Até aqui, tudo bem. O significado? Histórico", disse à Reuters o representante especial da ONU Staffan de Mistura, em um posto de votação em uma escola de Bagdá. "Vimos um número bom de participantes... As regras foram aplicadas estritamente. Eu também vi um sistema bom de organização."

Reuters
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