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Reagan levou Hollywood à Casa Branca

05 de junho de 2004 19h02

A Califórnia chora a morte de Ronald Reagan, presidente dos Estados Unidos entre 1981 e 1989. Foi em território californiano que o ex-presidente conheceu as suas três paixões: a política, o cinema e a mulher, Nancy. Muitos afirmavam que a Califórnia era "o país de Reagan". De fato, o 40º presidente dos Estados Unidos teve forte impacto na história do estado.

Ronald Reagan nasceu no sótão de uma loja em Tampico, no Illinois, no dia 6 de fevereiro de 1911, filho de um humilde sapateiro, Jack Reagan, e sua mulher, Nelle. O ex-presidente cresceu em um ambiente democrata-liberal e, depois de ficar órfão do pai alcoólatra, aos seis anos, Nelle o incentivou a ser ator. O jovem "Ronnie" freqüentou uma universidade de pouca expressão, Eureka College, onde teria estudado sociologia e economia. Em pouco tempo, se destacou por sua voz profunda e percebeu que seu futuro estava no rádio e, mais tarde, no cinema. No entanto, segundo os críticos, foi na política onde interpretou o melhor papel de sua vida.

O jovem Reagan buscava algo mais e encontrou seu objetivo na Califórnia, em Hollywood, onde pela primeira vez desfrutou da vida pública. Lá, trabalhou como ator, em papéis de pouca repercussão como Bed time for Bonzo, que tinha um macaco como protagonista, ou como garoto-propaganda dos cigarros Chesterfield. No entanto, Hollywood também lhe proporcionou sua primeira vitória política. Em 1947, foi eleito presidente do Sindicato de Atores.

Em uma época em que Hollywood respirava ares mais à esquerda, Reagan se tornou um destoante, defendendo um programa conservador. Também em Hollywwood, o ex-presidente encontrou o "amor de sua vida", a atriz Nancy Davis, com quem se casou em 1952, após se divorciar de sua primeira mulher, Jane Wyman - outra atriz -, com quem casara em 1940. Reagan e Jane tiveram dois filhos: Maureen Reagan, que morreu aos 60 anos, em 2001, e Michael Edward Reagan, adotado, cinco anos mais novo. Com Nancy, o ex-presidente teve Patricia Ann e Ronald Prescott.

Membro do Partido Republicano desde 1962, quando abandonou as filas democratas, Reagan foi eleito governador da Califórnia em 1966, cargo para o qual seria reeleito em 1970. Em 1980, derrotou o então presidente democrata Jimmy Carter e foi eleito, com 51% dos votos, o 40º presidente dos Estados Unidos. Apenas dois meses após a posse, em março de 1981, John Hinckley tentou matá-lo. Em 1984, foi reeleito com uma vitória expressiva, 59% dos votos.

O nome de Ronald Reagan faz parte do discurso político de todos os candidatos republicanos que tentaram seguir seus passos desde a Califórnia. Sua lembrança segue viva na fundação que inaugurou na década de 1990, dedicada à sua memória. Como assegurou o então presidente Bill Clinton na congratulação dirigida a Reagan em seu 85º aniversário, ele "permanece em nossas mentes e apesar de passar muitos anos na Califórnia, acho que algo de sua exuberância continua no Salão Oval, junto a todos seus cidadãos".

A "Casa Branca do Oeste"
Reagan tinha na Califórnia sua propriedade preferida, o Rancho do Céu, remodelada por suas próprias mãos e onde desfrutou, segundo suas palavras, de seus melhores momentos. Situado nas pradarias de Santa Bárbara, nas proximidades de Los Angeles, o rancho foi qualificado como "a Casa Branca do oeste" já que durante os oito anos como presidente passou ali mais de 345 dias. Pelos cinco dormitórios da casa passaram o último presidente soviético, Mikhail Gorbachov, e a rainha Elizabeth II, da Inglaterra.

O rancho foi vendido em 1998 à Associação de Jovens Republicanos, uma vez que o mal de Alzheimer tornou impossível que Reagan seguisse desfrutando do local. A doença lhe afastou da vida pública, mas sua presença ainda é forte. "Ele era um romântico histórico", definiu seu biógrafo Edmund Morris.

A luta contra o comunismo
Durante os trabalhos no Sindicato dos Atores, Ronald Reagan realizou uma importante atividade anticomunista na época da "caça às bruxas" nos EUA, no período conhecido como "Mccarthysmo". Documentos do FBI demonstram que o ex-presidente foi um importante informante-delator de companheiros que poderiam estar relacionados com atividades comunistas em Hollywood.

Os críticos de Reagan sempre o acusaram de ser um homem sem idéias ou, o que é pior, um homem de uma só idéia: acabar com o comunismo. Devido ao seu senso de humor, Reagan parecia não se importar e freqüentemente se perguntava se existia no mundo algo mais importante para se lutar. O nome do ex-presidente permanecerá ligado ao sonho de um programa de defesa antimísseis, conhecido como projeto "Guerra nas estrelas", e ao começo do final da Guerra Fria, processo no qual foi decisivo seu entendimento com o líder soviético Mikhail Gorbachov.

Mas em sua sombra, aparecerá sempre o escândalo sobre a venda ilegal de armas ao Irã e o desvio dos fundos para os anti-sandinistas armados da Nicarágua, que pode ter lhe custado a presidência. Mas Reagan soube lidar com estes e muitos outros assuntos, em parte graças a uma surdez inteligente que o fazia não escutar o que era dito, sempre que não lhe interessasse. O ex-presidente sorria, colocava a mão nas orelhas e seguia caminhando em meio aos gritos dos jornalistas. Nunca respondeu nada que não quis e sempre disse só o que lhe pareceu.

EFE
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