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Violência deixa mais de cem mortos em região etíope

30 de maio de 2008 16h59 atualizado às 17h01

Mais de cem pessoas podem ter morrido desde o último dia 17 em uma onda de violência entre etnias na região de Oromia (leste da Etiópia), como denunciou hoje em comunicado uma delegação de estudantes da região.

Desde o último dia 17, a tribo Gumuz começou a atacar as áreas vizinhas à localidade de Benishangul, habitada pela tribo oroma, como indica o documento apresentado pelos estudantes às autoridades policiais etíopes.

"Os ataques incluem assassinatos, mutilação de órgãos genitais masculinos e cortes de peitos de mulheres. Focam a parte masculina da sociedade, particularmente meninos. As mulheres são violentadas", diz o documento.

"Corpos sem vida foram queimados e propriedades foram saqueadas e destruídas", acrescenta o texto.

O inspetor da Polícia Federal da Etiópia, Workneh Gebeyehu, informou aos estudantes que desde ontem, quinta-feira, tomaram-se medidas para deter a onda de violência na região deslocando 400 policiais.

"O problema é uma questão de fronteiras; os habitantes de Benishangul estão atacando os vizinhos e estendendo seu território à força, aproveitando que os oromos não têm armas para se defender", disse à Efe Negesa Oddi, um dos membros da delegação estudantil.

A Frente de Libertação Oromo (FLO) foi um dos partidos da atual coalizão governante da Etiópia, mas decidiu seguir adiante com seu movimento armado para defender a autonomia de sua região.

O Governo do presidente etíope, Meles Zenawi, terminou dissolvendo o FLO, desarmou seus militantes e deixou a região de Oromia sem nenhuma possibilidade de conseguir armas.

"Os gumuz usam diferentes tipos de artilharia pesada e armas automáticas como fuzis AK-47 contra a desarmada população de Oromia", se indica no documento apresentado hoje.

Nenhum meio de comunicação local divulgou o que está ocorrendo nesta região e não foi permitido o acesso dos jornalistas à reunião de hoje.

Alguns dos estudantes demonstraram medo em dar mais informação sobre os fatos temendo represálias do Governo.

EFE
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