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Líder do Hamas morre em ataque israelense

22 de março de 2004 00h47 atualizado às 00h47

Yassin era figura emblemática dos radicais palestinos (Arquivo). Foto: Reuters

Yassin era figura emblemática dos radicais palestinos (Arquivo)
Foto: Reuters

O fundador e líder espiritual do Hamas, xeque Ahmed Yassin, de 67 anos, foi morto na manhã de hoje em um ataque realizado por helicópteros israelenses, que dispararam três foguetes deixando outras 7 vítimas fatais e 15 feridos, incluindo dois de seus filhos, provocando ódio, ameaças de vingança e uma forte tensão nos territórios palestinos. Yassin foi morto em sua cadeira de rodas na saída da mesquita do bairro de Sabra, em Gaza, onde tinha ido para a oração matinal. O corpo foi levado para o hospital Shifa.

Cerca de uma hora mais tarde, o Exército israelense confirmou em um comunicado sua responsabilidade no assassinato, enquanto milhares de palestinos saíam às ruas para manifestar contra a morte do líder. "O xeque Ahmed Yassin, chefe da organização terrorista Hamas, responsável por vários atentados e pela morte de inúmeros cidadãos de Israel e estrangeiros, foi morto em uma operação do Exército israelense, esta manhã, no norte da Faixa de Gaza", disse o texto, acrescentando que "depois deste ataque, toda a Faixa de Gaza está fechada e a região se encontra separada em três setores" temendo retaliações.

Segundo a rádio pública israelense, o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, deu pessoalmente sua autorização para o assassinato de Yassin e supervisionou a operação. Israel decidiu intensificar suas ações contra os movimentos radicais palestinos em represália a um duplo ataque no porto israelense de Ashdod na terça-feira passada, que deixou dez mortos.

Este duplo ataque, contra um alvo considerado por Israel como "estratégico", foi reivindicado conjuntamente pelo Hamas e pelas Brigadas dos mártires de Al-Aqsa, ligadas ao Fatá, do presidente Arafat. "O xeque Yassin merecia a morte por todos os atentados terroristas cometidos pelo Hamas", declarou o vice-ministro da Defesa, Zeev Boim, primeira autoridade de Israel a admitir publicamente a eliminação do líder espiritual palestino.

As Brigadas Ezzedin Al-Qassam, braço armado do Hamas, prometeram em um comunicado um "terremoto" como represália, que inclui uma ameaça aos EUA. "Eles não cometeram este ato sem obter sinal verde da Administração norte-americana terrorista e esta deve assumir a responsabilidade por este crime", defendem. Os EUA fizeram um apelo a todas as partes do conflito entre israelenses e palestinos para que mantenham a calma e mostrem sua moderação.

O comunicado afirma que a retaliação ao assassinato de Yassin vai ultrapassar os limites dos territórios palestinos e de Israel. "A guerra está aberta contra esses assassinos, esses criminosos e esses terroristas", afirma a nota. Já o ministro palestino encarregado das negociações, Saeb Erakat, denunciou como "um crime desprezível" a eliminação do fundador do Hamas, Ahmad Yassin, advertindo que este homicídio intensificará a escalada entre palestinos e israelenses.

Depois que se espalhou a notícia de sua morte, milhares de palestinos seguiram para a modesta residência de Yassin, no bairro Sabra, de Gaza. Centenas de pneus foram incendiados nas ruas em sinal de lutom enquanto a rádio A voz da Palestina transmitia versículos do Alcorão e cantos patrióticos. As escolas da Faixa de Gaza permaneciam fechadas, também em sinal de luto. A rádio israelense falou de disparos de foguetes hoje contra Israel, ainda não confirmados. Toda a região está em estado de alerta máximo.

Enfermo há anos, Yassin é uma figura emblemática dos radicais palestinos e repetia que o Hamas não iria parar os ataques suicidas se o Exército israelense não deixasse de "matar mulheres, crianças e civis inocentes". O Hamas foi criado com o objetivo de construir um Estado islâmico na Faixa de Gaza.

AFP
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