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Paquistão condena homem a ser cegado com ácido

12 de dezembro de 2003 10h28

Um paquistanês foi condenado a ser deixado cego com ácido depois de a Justiça tê-lo considerado culpado de haver feito o mesmo com sua ex-noiva. Mohammad Sajid jogou ácido em Rabia Bibi em junho, depois de os pais dela terem rompido o noivado entre os dois e terem oferecido a mão da moça para um outro homem.

O juiz da corte de Bahawalpur, cidade localizada na Província do Punjab, resolveu que o réu receberia a mesma punição, conforme possibilita uma lei islâmica. A lei, aprovada no Paquistão durante o regime militar do general Zia-ul-Haq, em 1979, diz que o culpado de um crime deve ser punido do mesmo modo pelo qual cometeu o crime. A punição pode ser evitada se houver perdão da vítima ou da família da vítima.

Observadores dizem ser improvável que a sentença seja efetivada devido a protestos da opinião pública e devido às promessas do presidente Pervez Musharraf de modernizar o país. "Gotas de ácido serão jogadas nos olhos dele conforme prevêem as leis islâmicas", disse Mohammad Shahid, um funcionário da corte responsável pelo julgamento.

Sajid confessou no tribunal ter jogado ácido no rosto de Bibi para se vingar pelo fato de a família dela não ter mantido a promessa feita a ele. O ataque cegou e mutilou gravemente a garota. Grupos de defesa dos direitos humanos criticaram a condenação, para a qual ainda cabe recurso. "É uma sentença, não um ato de justiça. Não é uma punição, mas um ato de vingança", afirmou Rashid Rehman, da Comissão de Direitos Humanos do Paquistão (HRCP), uma entidade privada.

Os ataques com ácido são relativamente comuns na zona rural do Paquistão. Segundo ativistas de defesa dos direitos humanos, mais de 70 incidentes do tipo foram relatados apenas em Punjab desde janeiro.

Reuters
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