Ele saiu da cidade como "o prefeito da América". Mas Rudolph Giuliani voltará aos negócios e à política de Nova York como um simples mortal, reconhecem alguns de seus aliados e parceiros de negócios.
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A campanha dele pela indicação presidencial, definida talvez pela cobertura noticiosa adversa de sua vida pessoal e profissional e por uma estratégia de campanha que recebeu severas críticas, serviu para reduzir temporariamente seus atrativos, como palestrante com cachê de US$ 100 mil e consultor de empresas, eles reconhecem.
"Os ataques que você sofre em uma campanha eleitoral certamente prejudicam", disse Richard Sheirer, vice-presidente da Giuliani Partners e ex-executivo dos serviços municipais de emergência de Nova York no governo Giuliani. "Em curto prazo, por tempo ainda indefinido, os efeitos se farão sentir."
Sheirer espera que Giuliani se recupere, depois do abandono de sua pré-candidatura, e que obtenha sucesso em reconstruir a Giuliani Partners, empresa que ele criou depois de encerrar seu mandato como prefeito, em 2002.
A empresa, que oferece consultoria empresarial e de segurança, claramente sofreu durante a campanha, dizem quatro de seus atuais e antigos executivos, já que as atenções de Giuliani estavam voltadas a outros assuntos.
A lista de clientes da empresa se reduziu, bem como suas receitas, eles disseram. A empresa agora está reduzida a 50 funcionários, dos 60 que tinha alguns meses atrás, e há diversos demissionários entre seus executivos, como Thomas Van Essen, antigo comissário de bombeiros de Nova York, e Joseph Volpe, ex-diretor da Metropolitan Opera, ambos vice-presidentes da empresa.
Alguns dos executivos da empresa, afirmaram dois deles em entrevistas esta semana, ainda não sabem se Giuliani continuará ativo no setor de consultoria, e até que ponto se envolverá nas atividades diárias da empresa, caso o faça, já que ele pode optar por concentrar suas atenções em seu escritório de advocacia, o Bracewell & Giuliani, ou em outras empreitadas, como fazer campanha pelo senador John McCain.
Caso McCain se eleja presidente, sua empresa de consultoria com certeza se beneficiaria do potencial acesso de Giuliani à Casa Branca. Mas é igualmente possível que Giuliani obtenha um posto no governo, talvez como secretário de Segurança Interna ou de Justiça.
"Caso ele não volte, a empresa não tem nada a fazer", disse um dos executivos da Giuliani Partners, que pediu que seu nome não fosse revelado porque ele não tinha autorização para falar em nome da companhia. "As pessoas não estão certas do que acontecerá a seguir."
Os empreendimentos de Giuliani certamente se provaram lucrativos nos anos que antecederam sua campanha presidencial: ele faturou US$ 20 milhões em 2006 e nos primeiros meses de 2007, de acordo com sua declaração de patrimônio para fins de campanha. Os negócios e investimentos do ex-prefeito estavam avaliados em entre US$ 18 milhões e US$ 70 milhões, naquele momento - a declaração não oferece números exatos.
Sunny Mindel, porta-voz da Giuliani Partners, descreveu as recentes demissões como normais, e disse que o negócio de consultoria continuaria a prosperar.
"A empresa e Rudy Giuliani continuarão a ser o sucesso que sempre foram", afirmou.
Melanie Hillis, porta-voz do Bracewell & Giuliani, disse que ele manteria o escritório de advocacia, sediado em Houston. "Ele continuará a oferecer orientação geral aos clientes e a dirigir o escritório de Nova York", ela afirmou.
A despeito de seu mau desempenho na campanha, Giuliani continua a ser atraente para os clientes empresariais que procuram acesso a funcionários do governo em Nova York ou Washington, especialmente em função dos conselhos que ele pode oferecer como advogado e administrador, diz David Maister, ex-professor da Escola de Administração de Empresas da Universidade Harvard que assessora e estuda empresas de consultoria nos Estados Unidos.
"O fato de que a reputação pessoal dele tenha sofrido um abalo não é o que está verdadeiramente em questão", disse Maister. "Ainda existem muitas empresas que desejariam os serviços que Giuliani é capaz de prover. É como se ele tivesse deixado de ser um quaquilionário para ser um milionário. Ele perdeu posições, mas não está fora do jogo."
Caso McCain se eleja presidente, a ligação entre os dois poderia tornar Giuliani atraente para empresas que desejem impressionar o novo governo, ainda que Giuliani insista em que ele não faz lobby.
Guy Molinari, que foi subprefeito de Staten Island no governo Giuliani e é um dos mais antigos aliados do ex-prefeito, disse que ele poderia se beneficiar da promessa de McCain de que reduziria a influência dos grupos de interesses especiais.
"Pouca gente terá acesso ao presidente e aos seus assessores mais importantes. Mas ouso dizer que Giuliani será uma dessas pessoas."
Na frente política, Giuliani, 63, não descartou a possibilidade de voltar a disputar cargos eletivos. "No momento não estou pensando em cargos públicos", ele declarou depois de sua derrota na Flórida, terça-feira. "Mas não digo que jamais voltarei a pensar neles."
Michael Long, presidente do Partido Conservador de Nova York, diz que Giuliani decepcionou os eleitores republicanos do Estado duas vezes ao abandonar disputas antes que eles pudessem votar nele - em 2000, quando desistiu da eleição para o Senado; e este ano, em sua pré-candidatura à presidência.
"São duas marcas negativas em Nova York", afirmou.
Long, que nunca foi partidário de Giuliani, afirma que ele poderia fazer muito para restaurar sua posição caso faça campanha por McCain agressivamente.
"Ele continua a ser Rudy Giuliani", disse Long. "Ainda é visto como um prefeito de imenso sucesso."




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