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Crise de lixo em Nápoles provoca novos conflitos

08 de janeiro de 2008 08h08 atualizado às 08h21

A decisão das autoridades italianas de reabrir um aterro sanitário próximo à cidade de Nápoles, no sudoeste do Itália, para enfrentar a crise gerada por toneladas de lixo que não foram recolhidas provocou na segunda-feira à noite novos conflitos entre os manifestantes e a polícia.

Várias pessoas ficaram feridas e uma foi detida após horas de conflito, durante as quais se ateou fogo a dois ônibus e os agentes foram atacados a pedradas.

Hoje a situação está calma, mas o clima de tensão prevalece na cidade, já que os manifestantes mantêm algumas ruas bloqueadas, principalmente as que levam ao lixão, informou a imprensa local.

O motivo dos protestos é o lixão de Pisani, próximo ao bairro napolitano de Pianura, que após 40 anos de serviço fechou em 1996, mas que as autoridades decidiram reabrir para enfrentar a emergência provocada pelo acúmulo de lixo na província de Nápoles e em toda a região de Campânia.

O problema do lixo em Campânia não é novidade e se repete há mais de 13 anos, devido à falta de lixões e estações de tratamento de resíduos.

Nas ruas de Nápoles há cerca de 5.200 toneladas de lixo acumulado. Em toda a região da Campânia, o acúmulo pode chegar a 110 mil t, de acordo com a imprensa local.

Após uma semana de tensão e conflitos com a Polícia, os agentes receberam ontem à tarde a ordem de se retirar das imediações do lixão de Pisani, o que foi comemorado pelos moradores com gritos de "vitória".

Pouco tempo depois, o comissário nomeado pelo Governo para lidar com a situação de emergência, Umberto Cimmino, confirmou que o lixão é o lugar eleito para enfrentar a crise.

Após o anúncio, os manifestantes voltaram a agir e entraram em conflito com a Polícia.

O bairro de Pianura foi isolado pelos bloqueios de ruas com contêineres de lixo e veículos. Alguns grupos queimaram dois ônibus públicos e usaram uma pá mecânica com a qual tentaram derrubar um muro.

Embora a maior parte dos manifestantes seja pacífica, existem grupos violentos que se infiltraram nos protestos e que, como denunciou esta semana o ministro da Justiça, Clemente Mastella, são movidos por interesses da Camorra, a máfia local.

O Governo italiano afirmou ontem que trabalha para encontrar uma solução que enfrente "de maneira radical o problema da emergência dos resíduos, de uma vez por todas", disse o porta-voz, Silvio Sircana.

O primeiro-ministro da Itália, Romano Prodi, deve se reunir hoje com vários ministros, como aconteceu ontem, para procurar uma solução para a crise do lixo, que foi classificada de "tragédia" pelo presidente da República, Giorgio Napolitano.

EFE
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