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Saarauí pede proteção frente à repressão marroquina

05 de janeiro de 2008 14h05 atualizado às 14h17

O presidente da República Árabe Democrática Saarauí, Mohammed Abdelaziz, pediu hoje à ONU que intervenha para colocar um fim à "repressão marroquina contra as povoações saarauís", na véspera do diálogo entre o Marrocos e a Frente Polisário pelo futuro do Saara Ocidental.

Em carta, o líder independentista saarauí denuncia ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, que os povoados de Semara, El Aaiun e Cabo Bojador sofreram represálias por causa de manifestações pacíficas.

Em Semara, segundo Abdelaziz, as forças da ordem marroquinas - ao reprimir uma manifestação no dia 26 de dezembro para reivindicar a libertação de um ativista saarauí dos direitos humanos que tinha sido detido e preso em Rabat - feriram cerca de 40 pessoas e várias casas foram saqueadas.

No dia anterior em El Aaiun, outras 30 pessoas, a maioria mulheres, mães de mais de 15 jovens saarauís desaparecidos desde 2005, ficaram feridas durante a intervenção da Polícia marroquina quando se manifestavam para reivindicar o esclarecimento do paradeiro de seus filhos.

Na localidade litorânea de Cabo Bojador, várias manifestações para reivindicar a libertação de presos políticos e a autodeterminação foram dispersadas à força, o que causou dezenas de feridos, segundo o dirigente independentista.

Ao mesmo tempo, foi detido o ativista de direitos humanos, Aghlahum Mata Mulana Ould Legraifa, que agora está recluso na Prisão Negra de El Aaiun, diz a carta.

"Queremos chamar a atenção para estas práticas marroquinas que criam obstáculos adicionais perante os esforços da comunidade internacional e que ameaçam o processo de acerto pacífico, da mesma forma como revelam a falta de vontade real do Governo do Marrocos para negociações de boa fé", acrescenta o líder saarauí.

Marrocos e a Frente Polisário devem iniciar na próxima segunda-feira uma nova rodada de negociações sobre o futuro do Saara Ocidental patrocinada pela ONU e que será realizada próximo a Nova York, na localidade de Manhasset.

EFE
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