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EUA lembram 25 anos do massacre de Jonestown

19 de novembro de 2003 10h12

Familiares e amigos de algumas das 913 pessoas que seguiram o culto do reverendo Jim Jones e perderam a vida na remota selva guianense se reuniram ontem em um cemitério de Oakland, Califórnia, para evocar o 25º aniversário do chamado massacre de Jonestown. A cerimônia, em memória dos seguidores do Templo do Povo foi sóbria e durou cerca de duas horas. Cerca de 150 pessoas lembraram 409 das vítimas enterradas no cemitério Evergreen.

Um memorial provisório - uma parede marcada com um coração - está próximo dos túmulos e ali ficará enquanto são concluídos os planos para substituí-lo por algo permanente, segundo trabalhadores do cemitério. Os filhos de Jim Jones, Stephen e Jim Jr., participaram na cerimônia junto com líderes cívicos locais.

O Templo do Povo
James Warren Jones nasceu em 13 de maio de 1931 em Ubduaba (Neui-Oeste), filho de um membro Ku Klux Klan. Na idade adulta ficou conhecido por suas idéias direitistas, mas declarava-se "socialista" liberal e afirmava ser a reencarnação de Jesus Cristo e Lênin.

Em 1965, criou o Templo do Povo na localidade californiana de Ukiah. Pouco depois, a imprensa denunciou as mortes de sete pessoas que quiseram abandonar sua "igreja" e acusações de seqüestro, espancamentos e abusos sexuais.

Fugindo do caso ele se mudou para São Francisco, onde fez amizade com a militante esquerdista Angela Davis e personalidades do mundo político. Posteriormente, Jim Jones decidiu fundar sua utopia multirracial agrícola em Jonestown, na Guiana. Com a aprovação do então presidente da Guiana, Forbes Burham, líder histórico do único país de fala inglesa da América do Sul, o reverendo Jones criou sua própria sociedade auto-suficiente na selva da guianense.

A história do massacre
A história do Templo do Povo acabou tragicamente no dia 18 de novembro de 1978, quando 913 pessoas, entre elas mais de 270 crianças, segundo estimativas oficiais, foram obrigadas a beber cianureto ou foram executadas em um dos mais terríveis casos de suicídio-assassinato coletivo da história recente. O chamado "Dia do Julgamento Final" começou quando colaboradores de Jones mataram a tiros o congressista americano Leo Ryan, três jornalistas e um desertor.

Ryan e seus acompanhantes tinham chegado a Jonestown para comprovar denúncias de que vários membros da colônia, em sua maioria negros americanos, eram proibidos de deixá-la. A senadora Jackie Speier, que estava na cerimônia de ontem, estava na Guiana quando ocorreu o massacre. Ela, que era assessora judicial de Ryan e só se salvou por milagre, conta que eles foram recebidos a tiros e que Ryan e seus acompanhantes morreram ainda no aeroporto. Speier se jogou na pista e assim permaneceu por 22 horas, sangrando e coberta de formigas, convencida de que havia morrido. Ele é uma das únicas sobreviventes do massacre que se seguiu.

Depois destes assassinatos, os seguidores de Jones se dirigiram para a área do Templo do Povo. Lá, o suicídio-assassinato acontecia na utópica colônia de Jones na selva. Alguns seguidores do reverendo que se recusaram a beber a poção mortal de cianureto foram executados com um tiro ou com injeções letais.

Redação Terra