A presidente argentina eleita, Cristina Kirchner, que ganhou as eleições de domingo com quase 45% dos votos, iniciará seu mandato no dia 10 de dezembro com uma esmagadora maioria no Parlamento e com governos aliados em 19 dos 24 distritos do país.
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A votação colocou a governista Frente para a Vitória (FV, peronistas e socialdemocratas) como primeira força na Câmara de Deputados e no Senado, onde a esposa e sucessora do presidente Néstor Kirchner contará com maioria própria.
Candidatos aliados ao casal Kirchner saíram vitoriosos das oito eleições para governador realizadas no domingo, como na estratégica e populosa província de Buenos Aires. A cidade de Buenos Aires e a província de Santa Fe, segundo e quarto distritos do país, respectivamente, estão entre os poucos territórios que passarão para o controle da oposição em dezembro.
"Em si mesmo, ter a maioria absoluta não é um risco. O problema nasce quando o Congresso está subordinado ao Poder Executivo e não há controle do poder. Isso aconteceu nos últimos quatro anos", afirmou o constitucionalista Gregorio Badeni, crítico da relação mantida por Kirchner com o Parlamento.
Badeni alertou que o novo cenário no Congresso "pode gerar mais concentração (de poder) e menos controle". Para o cientista político Rosendo Fraga, o perigo está na existência de uma oposição fragmentada contra um oficialismo com presença hegemônica no Parlamento.
"As maiorias, por si só, não enfraquecem o sistema institucional. Isso só acontece quando não há uma oposição articulada", disse Fraga. O pleito de domingo fez crescer a figura opositora da liberal-cristã Elisa Carrió, que com 22% dos votos ficou com o segundo lugar na disputa presidencial, à frente da Coalizão Cívica.
A primeira presidente argentina eleita nas urnas assumirá seu mandato com o aval do setor empresarial, que aprova a continuidade do modelo de icentivo à indústria promovido por Néstor Kirchner, fator decisivo para o crescimento econômico a um ritmo de 8,5% ao ano nos últimos quatro anos.
Cristina Kirchner contará também com o apoio da Confederação Geral de Trabalho (CGT), historicamente aliada aos governos peronistas. A influente Igreja Católica, culto majoritário na Argentina, manteve uma relação tensa com o governo Kirchner, mas recebeu de bom grado o discurso conciliador da presidente eleita no domingo, que se colocou a favor do diálogo com a oposição, segundo fontes do episcopado argentino.

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