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 Entraves econômicos aguardam favorita Cristina Kirchner
25 de outubro de 2007 10h09 atualizado às 11h09

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Os investidores estão de olho em como a primeira-dama argentina, Cristina Fernández de Kirchner, resolverá os gargalos econômicos e evitará uma volta às turbulências do passado caso seja eleita presidente, no domingo, conforme antecipam as pesquisas.

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Inflação em alta, superávit orçamentário em baixa e escassez energética estão entre as principais preocupações econômicas do país. Além disso, o crescimento do PIB deve se desacelerar, após cinco anos de expansão na casa dos 8 por cento.

Cristina encontrou líderes empresariais várias vezes durante a campanha para as eleições de 28 de outubro, e analistas dizem que ela parece ser menos combativa que seu marido, Néstor Kirchner, embora não tenha entrado em detalhes sobre suas propostas econômicas.

Até agora, sua principal proposta é um pacto social entre empresas, sindicatos e governos, de forma a conciliar os lucros da iniciativa privada com as necessidades dos trabalhadores.

Esse acordo poderia incluir, por exemplo, um teto para aumentos salariais no ano que vem e uma autorização para a elevação das tarifas de eletricidade, em geral congeladas desde a crise de 2001-2002. Mas analistas dizem que só isso não bastará.

"As políticas adotadas pelo governo Kirchner tiveram como objetivo maximizar os ganhos no curto prazo, mesmo que isso crie desequilíbrios no longo prazo", disse Ricardo Amorim, diretor de pesquisas para América Latina do banco de investimentos WestLB. "Cristina terá de combater alguns desses desequilíbrios", acrescentou.

As pesquisas indicam que, graças à recuperação econômica promovida pelo atual governo, Cristina deve ser eleita ainda no primeiro turno.

Ela diz que eventuais ajustes econômicos serão graduais, e defende os pilares da estratégia atual ¿peso desvalorizado, elevação das reservas internacionais e manutenção dos superávits comercial e fiscal.

Mas Kirchner dá a entender que sua esposa, atualmente senadora, será mais comedida. Na semana passada, ele afirmou que a meta de superávit primário no governo dela será de 4% do PIB, bem acima da meta de 3,1% deste ano.

Os gastos públicos deram um salto em 2007, crescendo acima da receita. Analistas dizem que o superávit primário seria cerca de 1 ponto percentual menor se não fosse pelo aumento excepcional gerado por uma reforma previdenciária.

"Os candidatos sempre são cuidadosos para não dizerem as palavras aperto, restrição ou austeridade, mas acredito que o novo governo tentará imediatamente conter o aumento nos gastos", disse Miguel Bein, ex-vice-ministro de Economia.

RISCOS

A terceira maior economia latino-americana sofre, desde a década de 1970, com surtos periódicos de hiperinflação e desvalorizações monetárias - além da grave recessão de 1999-2002.

Na atual fase de crescimento, a inflação é o principal problema do país, e o governo praticamente obrigou as empresas a congelarem preços. Nos últimos meses, há suspeitas de que o governo vem maquiando as taxas de inflação, o que agrava as preocupações dos investidores.

"É errado pensar que se pode administrar a taxa de inflação em cerca de 15 por cento ao ano quando todo mundo sabe que em países com tradições de alta inflação isso não pode ser administrado, sai de controle", disse o economista Abel Viglione, da consultoria Fiel.

Os gastos públicos e privados alimentam o crescimento desde 2003, e o peso desvalorizado ajuda as exportações e a indústria local. Além disso, a Argentina conseguiu reduzir sua dívida, reestruturando o pagamento de títulos sob moratória.

O desemprego e a pobreza caíram depois de bater recordes. O preço elevado dos grãos no mercado internacional também ajuda o governo a manter os bons indicadores.

Mas os títulos argentinos sofreram perdas na última crise financeira global, iniciada em julho com os problemas no crédito hipotecário dos EUA, o que mostra que os investidores ainda consideram a Argentina uma aposta de risco.

Reuters
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