inclusão de arquivo javascript

 
 

Jornalista é expulsa de TV por defender o nazismo

18 de outubro de 2007 11h28 atualizado às 13h41

Eva Herman, 48 anos, alta e bonita com seus longos cabelos loiros ondulados e seus olhos azuis, foi estrela de TV e apresentadora do telejornal noturno da primeira rede de TV pública alemã entre 1989 e 2006. Ela sempre se apresentou como uma mulher feliz, defensora da vida em família como mais importante que o trabalho, mas agora se converteu em protagonista de uma grande polêmica, depois de ter sido expulsa de um programa de TV de grande audiência, alguns dias atrás, por fazer declarações sobre as virtudes da política familiar de Hitler e de usar expressões nazistas.

» Alemanha discute tabus nazistas
» Apresentador morre no meio de telejornal
» Opine sobre o assunto

Johannes Kerner, apresentadora de um programa famoso de entrevistas na ZDF, a segunda maior das redes de TV alemãs, não vacilou em convidar Herman cortesmente a se retirar do estúdio, depois que a jornalista empregou expressões nazistas e respondeu a outra convidada, que a alertou sobre o fato, dizendo que estava ciente disso. "Mas, se utilizamos as rodovias construídas na era nazista, por que não posso mencionar os valores familiares daquela era?", argumentou.

Desde aquele dia, a polêmica não parou de crescer. Não há dia em que o Bild, o diário sensacionalista de maior tiragem na Alemanha e Europa, não traga artigos sobre Herman. A página da apresentadora na web recebeu milhares de mensagens, a maior parte das quais apoiando sua luta contra o feminismo, que Herman considera haver destruído os valores familiares tradicionais. Mas houve também críticas, como as de um antigo rebelde de 1968 que, depois de apontar para as contradições no discurso de Herman, ainda assim afirmou que Kerner demonstrou maus modos ao expulsá-la, e que não existe liberdade de expressão na Alemanha.

Mesmo assim, essa não é a primeira vez que Herman, divorciada e mãe de um menino de 10 anos, se torna destaque na mídia. Em setembro, ela perdeu seu emprego na TV por cometer um dos pecados capitais da vida pública alemã: empregar terminologia nazista.

Herman, autora de dois livros nos quais responsabiliza o feminismo pela baixa natalidade na Alemanha, se acostumou a esgrimir usando vocabulário da era de Hitler, como forma de chacoalhar a sociedade alemã - muito sensível e muito alerta a termos que recordam os horrores cometidos em seu nome e em nome do país - e de conseguir destaque nos meios de comunicação.

Foi exatamente isso que ela fez quando estava divulgando seu segundo livro. Ela defende a necessidade de salvar a família, e lamentou expressamente que "os valores familiares cultivados na era nazista se tenham perdido". A declaração causou grande surpresa nacional, sua demissão e, talvez, seu salto à fama e o convite para o programa da ZDF do qual terminaria expulsa por Kerner. O programa, aliás, registrou recorde de audiência, com 2.65 milhões de espectadores (18,1% de audiência), graças à expectativa gerada pelo anúncio de que a polêmica jornalista estaria presente.

O episódio confirmou que os lamentos de Herman sobre a perda dos valores familiares da era nazista não consiste de má interpretação ou exagero da imprensa, já que ela insiste sistematicamente em que a política familiar "daqueles senhores (os nazistas) serviria de exemplo para salvar a sociedade alemã da imoralidade, falta de princípios e baixo índice de natalidade".

Mas Herman ainda não esclareceu se fala assim por ideologia ou para romper tabus em uma sociedade altamente sensível aos crimes do nazismo.

La Vanguardia
La Vanguardia