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 China: apenas 1% das cidades teriam ar sem risco
14 de outubro de 2007 20h23 atualizado às 22h18

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Apenas 1% das cidades chinesas têm a qualidade do ar considerada segura pela União Européia, segundo matéria publicada em 25 de agosto pelo jornal The New York Times. De acordo com o diário, Pequim tem procurado uma fórmula mágica para tentar limpar sua atmosfera para os Jogos Olímpicos de 2008.

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Segundo o jornal, a rapidez com que o poder econômico chinês cresce é proporcional ao aumento dos problemas com poluição no país.

A China está sufocando em seu sucesso, aponta o jornal. O problema no país tem se tornado um problema mundial. Poluição advinda das fábricas movidas a carvão na China tem causado chuva ácida na Coréia do Sul e Japão. Muita da poluição de Los Angeles, nos Estados Unidos, é originária da China, diz o Journal of Geophysical Research.

A matéria do The New York Times, diz que a poluição tem feito o câncer ser a maior causa de mortes na China, segundo o Ministério da Saúde local. Somente a poluição do ar tem sido a causa da morte de centenas de milhares de pessoas todo ano e cerca de 500 milhões de pessoas não têm acesso à água potável.

O diário diz que há cidades industriais chinesas onde pessoas raramente vêem o sol e que crianças morrem ou adoecem devido a envenenamento por chumbo ou outras formas de poluição.

Em relação à poluição e escassez de água, um dado explica parte desta situação. De acordo com o Banco Mundial, as fábricas chinesas usam de quatro a 10 vezes mais água por unidade de produção que a média dos países industrializados.

Neste ano, um documento do Banco Mundial e da SEPA concluiu que a poluição do ar já causou a morte de 350 mil a 400 mil pessoas. Outras 60 mil pessoas morreram de diarréia, câncer de estômago ou bexiga e outras doenças que podem ter sido causadas pela poluição da água. A título de comparação, no ano passado, 89 mil pessoas morreram na China em acidentes de trânsito.

A Agência Internacional de Energia diz que a China pode se tornar o maior emissor de gases poluentes do mundo no final deste ano, superando os Estados Unidos.

Para o Partido Comunista, o cálculo político é assustador. Renegar o crescimento econômico para diminuir a poluição pode parecer algo lógico, mas o sistema autoritário do país é alimentado pelo crescimento rápido da economia, diz o jornal. Uma redução grande nesta política poderia incitar distúrbios sociais e demover interesses de investimentos, causando estragos no partido.

Mas a poluição tem causado seu próprio estrago. Segundo o The New York Times, os custos de saúde pública têm aumentado. A poluição das águas de alguns lugares pode transformar fazendas em áreas desertas. E a crescente necessidade de energia cria enorme dependência de petróleo e carvão importados, o que significa que os problemas ambientais podem ficar ainda piores e mais caros se não resolvidos logo.

O governo tem tentado resolver o problema fechando minas ilegais de carvão e encerrando as atividades de grandes indústrias poluidoras. Grandes iniciativas estão em andamento para adoção de fontes de energia limpa, como solar e eólica.

Os chineses dizem que o resto do mundo é um parceiro na degradação ambiental do país. As fábricas chinesas que jogam lixo em rios ou poluem os céus com fumaça fazem as mercadorias baratas que enchem as lojas nos Estados Unidos e Europa. Muitas vezes essas fábricas são subcontratadas por empresas estrangeiras ou compradas por elas. Pequim insiste que não aceitará limites para emissão de carbono, o que quase certamente causaria a redução de seu crescimento industrial. Eles argumentam que os países ricos causaram o aquecimento global e deveriam encontrar uma maneira de resolvê-lo sem impedir o desenvolvimento chinês.

Atualmente, as fábricas chinesas queimam mais carvão que Estados Unidos, Europa e Japão juntos. A expansão da venda de carros fez com que os automóveis liderassem a lista dos maiores emissores de poluentes do ar na maioria das cidades chinesas.

As fábricas de aço chinesas utilizam 20% de energia a mais que a média mundial para produção de uma tonelada do metal. Os produtores de cimento precisam de 45% a mais de energia, diz o Banco Mundial. A indústria de alumínio sozinha consome mais energia qie o setor comercial inteiro do país - hotéis, restaurantes, bancos e shoppings juntos.

As casas na China raramente têm isolamento térmico e precisam, na média, de duas vezes mais energia para aquecer ou resfriar que regiões com clima similar nos Estados Unidos e Europa, diz o Banco Mundial.

Mesmo com este cenário, as autoridades ambientais têm pouca influencia no país, diz o jornal americano. A agência ambiental chinesa tem 200 funcionários trabalhando em período integral, contra 18 mil da agência de proteção ambiental americana.

Redação Terra