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 Ex-presos chilenos retornarão à ilha Dawson
24 de outubro de 2003 16h02

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Vários presos políticos da ditadura militar chilena poderão retornar à ilha Dawson, no estreito de Magalhães, onde foram levados depois do golpe militar de 11 de setembro de 1973. A ministra da Defesa, Michelle Bachelet, explicou hoje que a Marinha será a encarregada de levar vários ex-ministros e ex-funcionários do Governo do deposto presidente Salvador Allende que tinham mostrado vontade de visitar esse centro de reclusão, como parte dos atos pelos 30 anos do golpe militar.

A delegação, que será liderada por Bachelet, chegará à ilha no dia 22 de novembro, onde visitarão o local onde foi construído o campo de reclusão, que já não existe. Os ex-prisioneiros visitarão posteriormente Puerto Harris, na mesma ilha, onde está uma igreja declarada monumento nacional e que foi restaurada pelos próprios presos políticos.

Nesse local, acontecerá uma cerimônia para lembrar os duros dias que ali passaram os detidos pela ditadura de Augusto Pinochet. Bachelet explicou que o itinerário da viagem foi acertado entre ex-ministros e ex-funcionários do governo de Allende, os ex-detidos da região de Magalhães e também com o comando da Marinha do Chile.

Participarão desta viagem, entre outros, o atual ministro da Educação, Sergio Bitar, e o senador do Partido pela Democracia e ex- ministro de Allende Fernando Flores. Embora a visita tenha enfrentado alguma resistência inicial da Marinha, a proposta foi finalmente aceita em agosto.

A ilha, 100 quilômetros ao sul da cidade de Punta Arenas, situada a mais de 2 mil quilômetros ao sul de Santiago, recebeu 600 presos políticos. O lugar está sob controle da Marinha de Guerra, que atualmente a utiliza como polígono.

Este campo de concentração começou a funcionar no mesmo dia 11 de Setembro de 1973, com a chegada dos primeiros 80 prisioneiros vindos de Magalhães, aos quais se somaram posteriormente os que chegaram de Santiago, e foi fechado em 26 de setembro de 1974. Pinochet enviou a Dawson cerca de 30 funcionários do governo de Allende, entre eles ministros, funcionários médios e dirigentes políticos, que foram obrigados a realizar trabalhos.

EFE
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