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Relatório: racismo e xenofobia crescem na Europa

24 de maio de 2007 11h19 atualizado às 11h54

O racismo e a xenofobia se infiltraram e se acentuaram na sociedade européia com a teoria sobre o "choque de civilizações" e o medo do terrorismo após o 11 de setembro, e pelo endurecimento dos discursos políticos contra a imigração, segundo relatório anual da Comissão Européia contra o Racismo e a Intolerância (ECRI).

A presidente da comissão, a dinamarquesa Eva Smith Asmussen, apresentou o documento à imprensa hoje em Paris. Asmussen e a secretária-executiva da ECRI, a francesa Isil Gachet, se mostraram pessimistas sobre a situação do racismo e da xenofobia na Europa, cuja tendência "não é muito promissora" e alertaram sobre os "perigos" de "estimular o antagonismo".

A Europa "vai pelo mau caminho se esquecer os valores humanos e a tolerância nas quais se fundamenta, e que hoje estão ameaçados", afirmou Asmussen. Além disso, ela alertou para o racismo contra os imigrantes e na luta antiterrorista, chamando a atenção para os problemas enfrentados por árabes, judeus, ciganos e negros.

No relatório anual de 2006 da ECRI consta que estão "muito preocupada pelo clima negativo na opinião pública" com relação a essas etnias, e considera que está "sendo alimentado por certos meios de comunicação e pela utilização de argumentos racistas e xenófobos no discurso político".

Segundo Asmussen, os discursos políticos, dos quais nenhum país da Europa está isento, são "tristes e lamentáveis" porque "reforçam os preconceitos" e alimenta o medo das pessoas de que a sociedade seja "derrubada" ou que percam o emprego. "Os emigrantes, refugiados e litigantes de asilo são especialmente afetados" pelo fenômeno, assinala o relatório.

O tom do debate político "não só se endureceu consideravelmente como também existe uma tendência em estigmatizar comunidades inteiras, especialmente as de origem estrangeira", acrescenta.

Nos discursos, os imigrantes são apresentados "como os responsáveis pela deterioração das condições de segurança, desemprego e aumento dos gastos públicos", segundo o documento.

Os países europeus, com populações cada vez mais envelhecidas, esquecem que dependem dos imigrantes para fazer funcionar suas economias e que eles fazem parte da sociedade, apontou Asmussen. Ela disse que os imigrantes, sobretudo os muçulmanos ou de aspecto oriental, são potenciais vítimas de atitudes racistas na luta antiterrorista por parte dos poderes públicos.

"É possível lutar contra o terrorismo também combatendo o racismo", afirmou a presidente da ECRI, denunciando as "pequenas discriminações racistas" que acontecem diariamente em supermercados e escolas. Para Asmussen, existe "uma relação direta" entre o racismo e a rejeição sofrida pelos jovens de origem imigrante e a decisão de alguns deles de se alistar em organizações terroristas.

"É o antagonismo que leva a isso. Aí estão as raízes do mal", ressaltou, criticando "a intensificação do clima de hostilidade" na opinião pública européia com relação as minorias. "A situação global no que se refere as formas contemporâneas de racismo e discriminação racial é complexa e inquietante", de acordo com o relatório da ECRI, que recomenda aos países que abordem o problema de forma "global, coletiva e solidária".

Para inverter a tendência e construir uma sociedade melhor, Asmussen e Gachet ressaltam que se deve cuidar da educação. "Tudo começa na escola. Deve-se ensinar as crianças a serem tolerantes com as diferenças e serem cidadãos do mundo", disse a presidente da ECRI, que considera importante que "os filhos cresçam em um ambiente sem discriminação".

A secretária-executiva apontou a necessidade de que cada pessoa faça "um trabalho de instrospecção e reflita sobre suas atitudes racistas, inclusive as inconscientes". "Não estamos aqui para dar lições, mas para ser o 'bom amigo' que dá conselhos", afirmou Gachet em mensagem aos 47 países-membros do Conselho da Europa.

EFE
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