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Igreja Católica supera desafios e cresce na África

14 de outubro de 2003 17h12

Os católicos africanos comemoram satisfeitos o 25º aniversário do pontificado de João Paulo II, em um cenário de expansão da Igreja Católica, apesar da concorrência desafiadora das centenas de missões protestantes em busca de novos adeptos. O continente africano, antes terreno privado dos missionários europeus, exporta hoje inúmeros padres para o Ocidente e espera ser um dos candidatos favoritos à sucessão do Papa.

A Igreja Católica na África tem um total de 140 milhões de fiéis, o correspondente a 17% da população do continente e, embora hoje esteja enfrentando novos desafios, não pára de crescer. Cidades como Lagos, a capital econômica da Nigéria e a maior do continente, vem assistido há meses o florescimento de uma verdadeira indústria em torno de religiosos pentecostais que seduziram grande número de fiéis com um marketing atrativo e promessas de riquezas terrestres.

Incomodado, o bispo de Lagos Anthony Okogie não escondeu sua revolta com os recém-chegados, acusando-os de subornar os fiéis. "O maior problema que a Igreja africana tem de enfrentar é a marginalização", declarou esta semana à imprensa, advertindo contra o auge das igrejas independentes. "Apenas porque sabem ler e escrever, algumas pessoas querem ter uma visão, fundam uma igreja e começam a se comportar como se tivesse uma relação direta com o céu (...) Quando você reza, este tipo de pessoa reza com você, mas sua mente está em outro lugar. Só pensa no seu bolso", acrescentou.

Monsenhor Robert Sarrah, secretário da Congregação para a Evangelização dos Povos, também tem a mesma preocupação, mas considera que o enfraquecimento da fé seja uma ameaça maior para o Ocidente do que para seu continente. "Na África, os jovens continuam sendo muito sensíveis ao espiritual. Querem conhecer Deus e a fé", disse em Dacar, capital de Senegal. "Inclusive, o número de padres e freiras está aumentando", destacou.

Nas vésperas da comemoração do aniversário de 25 anos de pontificado de João Paulo II, dia 16 de outubro, os curas africanos continuam considerando o papa a pessoa mais capacitada para alimentar esta crescente população de fiéis. "As visitas do Papa permitem aos católicos congoleses se unir e comungar, pois vêem nisto a concretização da religião", explica uma autoridade eclesiástica da República Democrática do Congo, país africano com a maior comunidade católica.

O Papa já visitou diversos cantos da África, reuniu multidões no coração do Marrocos muçulmano, inaugurou a maior basílica do mundo na Costa do Marfim e canonizou o primeiro santo da Nigéria. Enfim, o entusiasmo dos africanos em torno da religião católica pode ser explicado pelo crescente poder de seus religiosos na hierarquia da igreja, visto que três deles foram nomeados cardeais na semana passada.

Entre os candidatos à sucessão do Papa João Paulo II, está o cardeal nigeriano Francis Arinze, quarto na hierarquia católica, cuja nomeação seria sem dúvida alguma fonte de inspiração para uma igreja africana que registra neste momento a maior expansão de fiéis no mundo.

AFP
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