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 Aprovação de Lagos aumenta após 30 anos do golpe
13 de outubro de 2003 15h50

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O presidente do Chile, Ricardo Lagos, conseguiu sua mais alta aprovação popular de 2003 numa pesquisa realizada pouco depois do 30º aniversário do golpe de Estado de 1973, em cujas comemorações o atual governo teve um papel de destaque. Lagos, que está há três anos e meio no cargo, conseguiu se recuperar da queda sofrida no início do ano, decorrente de escândalos de corrupção na administração pública e da participação de pessoas próximas ao governo no roubo de dados confidenciais do Banco Central.

As cerimônias para lembrar o aniversário do golpe de Estado que derrubou o presidente socialista Salvador Allende e levou ao poder a ditadura de Augusto Pinochet, por 17 anos, foram lideradas pelo governo, que destacou a figura de Allende como um defensor da democracia. "A liderança presidencial teve maior visibilidade entre os chilenos no contexto geral dos 30 anos, assim como a identificação que possuem os governos da coalizão governista com a recuperação da democracia", explicou o especialista em política Carlos Huneeus, diretor do Centro de Estudos da Realidade Contemporânea (Cerc).

De acordo com uma pesquisa, com 70% de representatividade da população chilena, aproximadamente 55% dos entrevistados aprovam a gestão do presidente chileno, três pontos percentuais a mais do que em julho e cinco acima do registrado em abril, quando estava em meio a escândalos. Outro aspecto que teria influenciado positivamente o índice de aprovação do governo é a recuperação da economia do país, que dá sinais de maior solidez, apesar de não aparecer como um fator determinante, explicou Huneeus.

Ministras
Apesar de a pesquisa, realizada com 1,2 mil pessoas, mostrar um aumento do apoio a Lagos, os números atuais estão longe dos 67% de aprovação que marcaram o início do seu mandato após um disputado segundo turno com Joaquín Lavín, de direita, que aparece como o "político com mais futuro na pesquisa". Lavín, atual prefeito de Santiago, foi mencionado por 52% das pessoas entre os cinco políticos com mais projeção, três pontos percentuais menos que os obtidos na medição prévia.

Duas ministras de Lagos apareceram logo depois, Michelle Bachelet, da Defesa, e Soledad Alvear, das Relações Exteriores, lembradas por 34% e 32% dos que participaram da pesquisa, respectivamente. Apesar de as duas mulheres fortes do gabinete de Lagos terem aparecido sempre nas pesquisas, esta é a primeira vez em que a ministra da Defesa ultrapassa Alvear.

Huneeus também atribui esse crescimento às comemorações do aniversário do golpe de 11 de setembro, que resultaram em inúmeras reportagens na TV e nos jornais em que Bachelet foi constantemente citada como vítima da ditadura. A ministra socialista esteve junto com sua mãe num campo de detenção, e seu pai, um general da Força Aérea, morreu vítima de tortura de seus próprios colegas de armas por ser contrário ao golpe liderado por Pinochet.

Reuters
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