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Vaticano diz que camisinha não protege contra aids

09 de outubro de 2003 16h54 atualizado às 16h58

O Vaticano está dizendo às centenas de milhões de católicos de todo o mundo que, ao contrário de evidências científicas, o uso de camisinha não evita a transmissão do vírus HIV. De acordo com um programa da BBC, pelo argumento da Igreja Católica, se os preservativos não conseguem garantir nem mesmo o bloqueio do sêmen, não poderia impedir o vírus, que é muito menor.

A Igreja Católica opõe-se a qualquer forma de controle de natalidade artificial e critica em especial o uso da camisinha, que considera incentivar a promiscuidade. Mas a oposição tradicional está agora sendo reforçada com o argumento da ineficiência.

"O argumento moral contra o uso das camisinhas está sendo substituído por um argumento clínico que é falho", disse Steve Bradshaw, repórter do programa "Sexo e a Santa Sé", a ser transmitido pela BBC no domingo à noite. "O vírus da aids é cerca de 450 vezes menor do que o espermatozóide", afirmou ao programa o cardeal Alfonso Lopez Trujillo, presidente do Conselho Pontifício para a Família, um órgão do Vaticano. "O espermatozóide pode passar facilmente pela "rede" formada pela camisinha", disse.

Segundo o cardeal, da mesma forma que falam sobre os perigos do fumo, as autoridades da área de saúde deveriam avisar sobre os perigos dos preservativos. O arcebispo de Nairóbi, Raphael Ndingi Nzeki, disse ao programa: "A aids... cresceu tão rápido por causa da disponibilidade de preservativos".

Um diretor do centro de testes de aids em Luak afirmou ter evitado distribuir camisinhas em razão da oposição da Igreja.

Argumento recorrente
Bradshaw afirmou que a equipe do programa não estava buscando uma história, mas "tropeçou" nela quando realizava uma pesquisa. "Ouvimos os mesmos argumentos tantas vezes de pessoas diferentes que decidimos consultar o Vaticano", afirmou.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) rejeita a argumentação da Igreja Católica. "Essas declarações incorretas a respeito das camisinhas e do HIV são perigosas quando nos deparamos com uma pandemia mundial que já matou mais de 20 milhões de pessoas e que contamina atualmente ao menos 42 milhões de outras", disse a OMS ao programa.

A organização reconheceu que as camisinhas poderiam se romper ou mesmo deixar passar sêmen, mas reduzem os riscos de contaminação em 90% e são, com certeza, eficientes ao impedir a passagem do HIV. "Eles estão enganados nesse ponto. Isso qualquer um sabe", afirmou Trujillo.

Da Nicarágua ao Quênia e às Filipinas, a equipe da BBC escutou a mesma história da Igreja - de que os preservativos podem matar. Ninguém no Vaticano estava imediatamente disponível para fazer um comentário oficial.

Reuters
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