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Comissão do Vaticano aprova o fim do limbo

20 de abril de 2007 13h17 atualizado às 16h18

Os teólogos do Vaticano estão convencidos, após vários meses de reflexão, que o limbo não existe e que as criancinhas mortas sem o sacramento do batismo vão diretamente para o paraíso.

Um documento da comissão teológica pontifical teve alguns extratos publicados no site da agência Catholic News Service (CNS), mas ainda não foi divulgado pelo Vaticano, apesar de pronto há várias semanas - precisou à AFP um integrante da comissão, o arcebispo de Dijon, na França, Roland Minnerath.

O texto foi aprovado com a concordância do Papa Bento XVI, informou o secretariado deste órgão consultivo da cúria, precisando, no entanto, que as conclusões não têm valor de dogma.

A idéia do limbo, uma espécie de terra de ninguém, onde a tradião católica colocava os pequeninos sem batismo, reflete "uma visão muito restrita da salvação", explicaram teólogos que trabalham no assunto desde novembro de 2005.

A hipótese da existência do limbo, relacionada à concepção cristã da Salvação, foi transmitida pelo teólogo Santo Agostinho, morto em 430.

Esperança maior que certeza
Deus é misericordioso e "quer que todas as crianças sejam salvas", consideraram os teólogos, reunidos sob a presidência do prefeito da congregação pela doutrina da fé, o americano William John Levada. No entanto, eles ressaltaram que seu parecer se baseia "sobre uma piedosa esperança" mais do que sobre "uma certeza provada".

Em 1984, o então cardeal Joseph Ratzinger já havia se declarado partidário "a título pessoal" do abandono da "hipótese" da existência do limbo. Esta idéia foi concebida no século V, quando Santo Agostinho tentou responder à quadratura do círculo: dado que a alma das pequenas crianças mortas sem batismo não havia sido livrada do pecado original, elas não poderiamm chegar ao paraíso. Mas como nada fizeram de mal, não têm lugar no inferno.

Apesar da queda da mortalidade infantil, o tema permanece sendo uma atualidade incômoda para a Igreja católica, confrontada com a prática do aborto e com a diminuição constante do número de batismos de crianças.

A Comissão Teológica Internacional incluiu o assunto em seu programa de trabalho nos anos 2004-2005.

AFP
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