Logo no início da audiência, a juíza Joan Lenard assegurou ao advogado de defesa que este processo se manterá independente do anterior, pelo qual Fernández Larios foi condenado nos Estados Unidos por participção no crime do ex-chanceler chileno Orlando Letelier.
Fernández Larios, que enfrenta acusações por "tortura e assassinato extrajudiciário" no Chile, se entregou à justiça dos Estados Unidos em 1987, após desertar, e foi condenado a três anos de prisão por cumplicidade no assassinato do ex-chanceler chileno Orlando Letelier, em 1976, em Washington.
Nessa oportunidade, e por sua cooperação como testemunha, o ex- major do exército obteve aparentemente um "acordo de proteção" que lhe permite residir nos EUA e que inclusive impediria sua extradição.
A mesma atitude de seriedade imperou entre os representantes da família Cabello, que apresentaram a ação judicial pela morte de Winston Dwight Cabello Bravo, diretor de um escritório de planejamento do Estado no norte do Chile e assassinado, aos 28 anos de idade, em 17 de outubro de 1973 pela "Caravana da Morte" da qual Fernández Larios teria feito parte.
A "Caravana da morte", planejada pela dissolvida Direção de Inteligência Nacional (Dina), operou em diversas cidades chilenas durante os meses posteriores ao golpe militar de Pinochet contra o presidente Salvador Allende (1973) e é culpada pela morte de aproximadamente 75 funcionários e simpatizantes do deposto governante.
A partir de hoje, em Miami, a família Cabello tentará provar que Fernández Larios participou ativamente no assassinato de Winston Cabello e quer, além disso, que os assassinatos da "Caravana" sejam considerados crime contra a humanidade.
O advogado Steven Davis afirmou que seu cliente não participou do assassinato de Cabello, que apresentará provas que este foi assassinado por outro militar chileno e que Fernández Larios não se encontrava na região quando ocorreu o homicídio.
Respondendo a instruções da juíza Lenard, os integrantes da família Cabello que viajaram para Miami procedentes do Chile e São Francisco (EUA), não deram hoje declarações aos jornalistas.
No entanto, Zita Cabello, irmã de Winston, principal promotora da acusação e professora da Universidade de São Francisco, disse previamente que confiava e agradecia a "oportunidade que nos dá a justiça americana".
"Temos muitas esperanças que a justiça seguirá seu justo caminho", acrescentou Zita, que junto a Manuel, Aldo e seu esposo Patricio Barrueto, entre outros familiares, viajaram a Miami especialmente para o julgamento.
Os integrantes da família Cabello, não deram detalhes sobre qual será a estratégia da acusação, especialmente para contestar um argumento da defesa de que não apresentaram testemunhas que provem a culpabilidade de Fernández Larios.
No entanto, jornalistas chilenos informaram que estes apresentarão um vídeo que reúne 15 testemunhos chave contra Fernández Larios.
O julgamento civil do ex-agente da Dina foi solicitado com base em duas leis do século XIX usadas para prevenir crimes de pirataria: a Aliem Tort Claims (Comercial por torturas no estrangeiro) e a Torture Victim Protection Act (Proteção às Vítimas de Tortura).
Em 2002, ambas as leis foram usadas em um processo na Flórida contra dois generais salvadorenhos acusados de tortura e condenados a pagar US$ 54,6 milhões m indenização, embora ambos se declarassem "pobres".
Fernández Larios foi solicitado pela Argentina para ser interrogado com relação ao atentado de 1974 em Buenos Aires contra o general chileno Carlos Prats, ex- ministro de Defesa e do Interior de Allende, que morreu junto com sua esposa após um atentado com bomba.




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