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 Pinochet surpreende com aparição pública
11 de setembro de 2003 19h05

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O ex-ditador chileno, general Augusto Pinochet, surpreendeu os jornalistas ao aparecer em público hoje, mas não deu declarações no dia em que o golpe militar que o levou ao poder e mergulhou o país em sangrenta ditadura completou exatos 30 anos. Pinochet permitiu o acesso da imprensa a um dos salões de sua residência do bairro de La Dehesa, a leste de Santiago, onde apareceu junto com sua mulher, Lucía Hiriart, ex-colaboradores de seu regime e membros da fundação que leva seu nome.

O propósito do ex-ditador, de 87 anos, foi entregar publicamente à Fundação Augusto Pinochet a faixa presidencial que cruzou sobre seu peito em 11 de março de 1981, quando pôs em vigor a Constituição que seu governo aprovou depois do plebiscito de setembro de 1980. O diretor da entidade, Hernán Briones, agradeceu o gesto do general e, ao receber a faixa, destacou a obra de sua administração, que "mudou a cara deste país".

"Somos o país mais sólido da América Latina, somos motivo de inveja de muitos países, graças ao trabalho de reconstrução feito pelo governo militar", elogiou Briones.

Lucía Hiriart, por sua vez, falou em nome de seu marido e pediu aos seus partidários, reunidos na fundação, que "mostrem às novas gerações o que foi realmente o 11 de setembro de 1973", quando militares derrubaram o presidente socialista Salvador Allende, que se suicidou no Palácio de La Moneda. Segundo ela, é necessário trabalhar por "um Chile unido, sem revanches, nem rancores, mas também por um Chile no qual a história não seja manipulada".

A cerimônia na casa de Pinochet estava prevista para a quinta-feira à noite, mas foi antecipada diante da impossibilidade do ex-ditador de ser transferido para esse lugar por recomendação de seus médicos, explicaram fontes ligadas à família. Antes da solenidade, Pianochet recebeu a visita do comandante-em-chefe do Exército, general Juan Emilio Cheyre, que ao final do encontro se recusou a dar declarações.

Pinochet liderou o governo militar no Chile entre 11 de setembro de 1973 e 11 de março de 1990, mas se manteve na chefia do Exército até 1998, quando se tornou senador vitalício. Submetido a julgamento por alguns dos mais de 3 mil mortos e desaparecidos deixados por seu regime, ficou livre dos processos em julho de 2002, depois que a Corte Suprema estabeleceu que um estado de demência moderada o impedia de se defender nos tribunais.

AFP
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