As eleições extraordinárias que estão sendo realizadas hoje no Turcomenistão para escolher o sucessor do presidente vitalício, Saparmut Niyazov, que morreu vítima de uma parada cardíaca no final de 2006, transcorreram com calma e com uma participação cidadã de quase 100%, segundo as autoridades do país centro-asiático.
A Comissão Eleitoral Central (CEC) do Turcomenistão comunicou que por volta das 16h local (9h de Brasília), a duas horas do fechamento dos colégios eleitorais, tinham ido às urnas 94,5 % do número total de eleitores, calculado em pouco mais de 2,6 milhões de cidadãos. "Os resultados preliminares das eleições possivelmente serão conhecidos no dia 13", declarou o presidente da CEC, Murat Karriev, citado pela agência oficial russa Itar-Tass.
Estas eleições são as primeiras realizadas na história do país com vários candidatos e foram convocadas após a repentina morte de Niyazov, que governou o Turcomenistão com mãos de ferro por 21 anos, sendo 15 deles como presidente. Seis candidatos concorrem à Presidência turcomena, mas há apenas um favorito: o presidente interino, Kurbanguly Berdymukhamedov, de 49 anos, dentista e ex-ministro da Saúde.
Os outros candidatos ao pleito são o vice-ministro de Petróleo e Gás, Ishanguly Nuriev; os prefeitos das cidades de Abadan, Orazmurad Karajayev, e de Turkmenbashy, Ashirniyaz Pommanov; o vice-governador de Dashoguz, Amanniyaz Atadzhikov; e o chefe da administração do distrito de Karabekaul, Mujammetnazar Gurbanov.
O vencedor será aquele que obtiver maioria absoluta dos votos, mas é tido como certeza que a vitória de Berdymukhamedov será arrasadora. O novo mandato presidencial será de cinco anos, ao contrário do vitalício de Niyazov, que se denominava o "pai de todos os turcomenos e criou um regime autárquico baseado no culto a sua própria personalidade.
Nenhum observador internacional foi convidado pelas autoridades turcomenas para supervisionar o pleito, cujos resultados oficiais serão anunciados no dia 14 em uma sessão do Conselho Popular, macroparlamento do país, quando o novo chefe do Estado que governará a nação por cinco anos será empossado. No Turcomenistão não são realizadas pesquisas de boca-de-urna e a CEC não informou se divulgará os resultados eleitorais preliminares além dos de participação.
As eleições estão sendo supervisionadas por observadores nacionais, muitos deles do Instituto de Democracia e Direitos Humanos da Presidência do Turcomenistão, país onde existe apenas um partido político legal, o Partido Democrático, do governo. "Apesar de todos os problemas e das críticas às eleições, tudo indica que haverá uma certa mudança para melhor", declarou em Moscou Bairam Sikhmuradov, um dos líderes do opositor e expulso Partido Republicano do Turcomenistão.
O dirigente exilado, filho do ex-ministro de Assuntos Exteriores turcomeno Boris Sikhmuradov, que cumpre prisão perpétua no Turcomenistão, disse à Interfax que a oposição "encara estas eleições como algo inevitável". "Entendemos que o pleito não é a pior opção, mas tudo dependerá da conduta das novas autoridades", acrescentou Sikhmuradov filho, que ressaltou que o principal objetivo da oposição é participar do processo político "de qualquer forma".
O Turcomenistão, quinto maior produtor de gás natural do mundo e o segundo no espaço pós-soviético depois da Rússia, tem acesso ao mar Cáspio, que possui uma das maiores reservas de hidrocarbonetos do planeta. Potências como a Rússia, os Estados Unidos e a China lutam para ganhar o controle do gás turcomeno, mas por enquanto não se sabe quais serão as prioridades de política externa do futuro governo do Turcomenistão. A antiga república soviética, que tem uma área de 448,1 mil quilômetros quadrados e uma população de pouco mais de cinco milhões de habitantes, faz fronteira com o Irã, Afeganistão, Cazaquistão e Uzbequistão.

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