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 Lagos lamenta greve de fome por direitos humanos
08 de setembro de 2003 20h38 atualizado em 10 de setembro de 2003 às 12h14

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O presidente do Chile, Ricardo Lagos, lamentou hoje o mau estado de saúde dos jovens que fizeram uma greve de fome de 20 dias, já suspensa, e os novos protestos desse tipo anunciados em reação a uma proposta do governo para os direitos humanos.

Três filhos e irmãos de vítimas da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990) fizeram a greve de fome contra o plano de Lagos para aprofundar a busca por milhares de desaparecidos políticos e oferecer alguma compensação a suas famílias.

Embora a greve de fome tenha acabado ontem, algumas organizações sindicais e de direitos humanos anunciaram mobilizações semelhantes. "Quero em primeiro lugar lamentar isso que ocorreu, porque acho que aqui há um tremendo mal entendido", disse Lagos a jornalistas, falando sobre sua proposta. "O que esta proposta quer é ter mais informação. Queremos mais verdade, mais justiça e melhores indenizações para que isso nunca mais ocorra", acrescentou.

As famílias das vítimas reclamam da proposta porque ela inclui uma diminuição das penas para militares envolvidos em abusos, desde que eles colaborem com as investigações. Além disso, o projeto admite a "obediência forçada", ou seja, entende que vários militares devem ser considerados inocentes porque se limitaram a cumprir ordens. "Sabíamos de antemão que o governo, em seu compromisso com os criminosos, não iria ceder à custa de nossas vidas, em eliminar os pontos questionados na sua proposta", disse um comunicado dos porta-vozes da greve de fome.

Os manifestantes acham que a proposta de Lagos, em vez de atender às suas reivindicações, favorece a impunidade. "Embora nossos companheiros abandonem essa ação devido ao grave estado de saúde em que se encontram, o povo segue de pé e várias organizações sociais se somarão a um jejum por dignidade e justiça", disse o comunicado.

Os sindicatos dos professores e dos enfermeiros já anunciaram adesão ao protesto, embora em ações limitadas e temporárias. Lagos disse que compreende a dor de quem perdeu parentes durante a ditadura - foram cerca de três mil dissidentes mortos.

"Lamento muito o que ocorreu com esses jovens, entendo que eles tenham sofrido, mas também gostaria que agíssemos com responsabilidade a respeito disso", enfatizou. "Se alguém acha que a partir da proposta há impunidade, isso não é assim", completou.

Reuters
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