O golpe de estado de 11 de setembro de 1973 instaurou uma ditadura de 17 anos liderada por Pinochet, que além de Allende, matou ou deixou desaparecidas cerca de três mil pessoas, vítimas da violência política. "Querem converter um em santo e outro em demônio", disse Lucía Pinochet, após um ato em memória dos cinco seguranças do ex-ditador que morreram durante um fracassado atentado contra Pinochet, que ocorreu em uma manifestação rural no Chile em 1986.
"Quando querem colocar uma pessoa, que sabe-se fez um mal governo, como um santo, há uma reação por outro lado. Já haviam limado as asperezas, mas com isso, o que fazem é revivê-las", acrescentou.
A televisão chilena mostrou incessantemente nestes últimos dias imagens, em alguns casos inéditas, do governo de Allende e dos meses que se seguiram ao golpe de estado, durante os quais milhares de chilenos foram presos, torturados e desaparecidos. Assim mesmo, simpatizantes do ex-governante socialista realizaram atos públicos, que contaram com multidões, em memória do governo da Unidade Popular, como era conhecida a coalizão dos partidos de esquerda que apoiou mais mil dias de Allende no poder.
O principal deles aconteceu neste final de semana, quando cerca de 80 mil pessoas se reuniram no estádio principal do país, que também foi centro de reclusão e tortura, em uma apresentação de artistas chilenos e estrangeiros, que reproduziram discursos do presidente socialista. "Creio que a história tem que ser contada dentro de seu contexto completo, não por partes ou por posições", disse Marco Antonio Pinochet, filho mais novo do ditador.
O filho de Pinochet acrescentou que o estado de saúde de seu pai é delicado e que não participaria de nenhum dos atos de comemoração do 11 de setembro organizados por seus partidários.
Pinochet, de 86 anos, está afastado da vida pública desde que o Supremo Tribunal de Justiça do Chile o eximiu do julgamento que o acusava de violação dos direitos humanos, alegando a única causa possível para retirar o processo: "loucura" ou "demência".

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