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 Greve de fome no Chile perde força
05 de setembro de 2003 18h34 atualizado em 10 de setembro de 2003 às 12h24

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À medida que seus corpos se debilitam, também perde força a greve de fome que três filhos de vítimas da ditadura chilena iniciaram há 19 dias em protesto contra uma proposta de direitos humanos do governo. Fahra Nehgme, de 39 anos, teve que ser internada com urgência em um centro médico e, devido à gravidade de sua úlcera duodenal, retirou-se na sexta-feira do movimento. Outro participante do protesto, Pablo Villagra, de 35 anos, voltou a integrar a greve, apesar de ter sido hospitalizado por um grave problema hepático. "Devemos analisar a situação com os demais, porque não gostaria de deixar Alberto sozinho. Voltei à greve sob minha responsabilidade, mas não estou bem", disse Villagra.

Embora Villagra duvide da continuidade do movimento, pois sua vida está em jogo, o terceiro manifestante, Alberto Rodríguez, de 28 anos, que apresenta o melhor aspecto físico, apesar dos sinais de desidratação, participou de uma entrevista coletiva na qual garantiu que a greve seguirá "até as últimas conseqüências".

O grupo de apoio ao protesto reconheceu que isto não significa estendê-la até a morte dos grevistas, três filhos de desaparecidos ou executados pela ditadura de Augusto Pinochet, que governou o país entre 1973 e 1990. "Não vamos cometer o erro de dar uma vida a ninguém e menos a este governo nem às Forças Armadas, mas vamos nos empenhar até o último", disse o porta-voz do grupo, Dago Pérez Videla.

Rodríguez, por outro lado, insistiu que o governo deve voltar atrás com sua proposta, pois consagraria a impunidade de membros da ditadura através de benefícios penais e imunidade dos autores de crimes que não foram julgados até agora. O plano, rejeitado pelos familiares das vítimas do governo militar, admite a "obediência forçada" de agentes que participaram em crimes cumprindo ordens e oferece redução de penas dos responsáveis em troca de informações sobre o paradeiro dos presos desaparecidos.

Reuters
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