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 Mães de desaparecidos no Chile iniciam jejum
04 de setembro de 2003 14h39 atualizado em 10 de setembro de 2003 às 12h33

Um grupo de mães e mulheres de presos desaparecidos durante a última ditadura chilena começou hoje um jejum de 72 horas para pedir justiça e expressar sua rejeição a um plano oficial para resolver problemas de direitos humanos. "Jejuamos para pedir justiça, que é um direito inalienável de todos os seres humanos, jejuamos porque o país esquece seu passado e não tem futuro", afirmou Lorena Pizarro, presidente do Agrupamento de Familiares de Detidos Desaparecidos (AFDD) ao começar a ação.

"Jejuamos porque jamais aceitaremos a impunidade, jejuamos com a força que nossos entes queridos e seus sonhos nos dão, mutilados mas não vencidos", concluiu. Uma médica que acompanhará as mulheres durante o jejum, que se prolongará até o próximo domingo, advertiu que a ação pode ser perigosa para elas, por se tratarem de pessoas da terceira idade.

A AFDD se juntou assim à greve de fome que desde o último dia 18 de agosto mantida por três filhos de vítimas da ditadura de Augusto Pinochet (1976-1983), que consideram que o projeto do governo supõe impunidade. A proposta do governo aumenta as ajudas sociais e econômicas aos familiares das vítimas e inclui como beneficiários as famílias dos militares mortos por grupos armados. Também oferece imunidade a ex-repressores que colaborarem com a justiça e não tenham tido responsabilidade de comando, e rebaixamentos de penas para aqueles que as tiveram.

Atualmente existe cerca de 120 ex-repressores, em sua maioria do Exército, processados ou condenados em primeira instância em aproximadamente 180 julgamentos. As vítimas da ditadura exigem, entre outros pontos, a revogação da lei de anistia, o que foi descartado pelo presidente Ricardo Lagos por não ter nenhum efeito prático, e a expulsão de todos os membros das Forças Armadas envolvidos em violações dos direitos humanos. Dois dos jovens em greve de fome desde 18 de agosto, Pablo Villagra e Farah Nehgme, foram hospitalizados por problemas de saúde, mas expressaram do hospital sua vontade de manter o protesto junto com seu companheiro Alberto Rodríguez.

O Governo se mostrou hoje preocupado com a saúde dos grevistas de fome, mas sustentou que não tem muita margem para tomar medidas a seu favor. "A única coisa que o governo pode fazer é apresentar recursos de proteção caso a saúde deles seja agravada", precisou o ministro do Interior, José Miguel Insulza, em referência a possibilidade de pedir à justiça que autorize a alimentá-los à força.

A greve de fome está sendo acompanhada por ações solidárias desenvolvidas por diversas organizações humanitárias, inclusive um jejum solidário que desde o dia 25 de agosto estão realizando três filhos de exilados na sede da embaixada do Chile na Bélgica. Horas antes de Fahra Neghme ser hospitalizada um grupo de jovens protestou em frente ao Palácio de La Moneda, enquanto 12 pessoas ocuparam pacificamente por uma hora o Consulado da Suécia na cidade chilena de Valparaíso.

EFE
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