"Aqui não há impunidade para ninguém", alertou o presidente diante de correspondentes internacionais, referindo-se aos 300 processos em andamento envolvendo militares responsabilizados pelos mais de 3 mil mortos e desaparecidos durante o regime Pinochet (1973-1990).
Lagos se mostrou preocupado com a greve de fome iniciada há 17 dias por três filhos de desaparecidos que rejeitam sua proposta de indenizar os parentes das vítimas e diminuir a pena dos militares que colaborarem com os tribunais de justiça.
O presidente deu as declarações pouco antes de 18 jovens que apoiavam a greve de fome terem sido detidos pela guarda do palácio de La Moneda quando tentavam fazer uma manifestação no Patio de Los Naranjos. "Acho que são pessoas que sofreram muito. São a expressão do drama do Chile. E nós estamos disponíveis para qualquer tipo de tarefa que nos permita evitar que isto continue", disse Lagos.
Pablo Villagra, um dos três manifestantes que iniciaram uma greve de fome no último dia 18 de agosto, foi internado ontem devido à abstinência prolongada. Ele participava da greve junto com Farra Neghme e Alberto Rodríguez, na sede do Partido da Esquerda Cristã.
Os grevistas e o Grupo de Familiares de Presos Desaparecidos não aceitam a oferta de Lagos porque ela abriria caminho para a impunidade, uma vez que reduz a pena dos militares que cooperarem com as investigações judiciais. Lagos admitiu que sua proposta é apenas um primeiro passo, porque o capítulo da violação dos direitos humanos "não se encerra". Ele destacou os avanços conseguidos desde a restauração da democracia, em março de 1990, até os militares reconheceram sua responsabilidade nos desaparecimentos, em janeiro de 2001.
O general Pinochet, 87, não está entre os militares processados por violações dos direitos humanos, apesar de há três anos ter enfrentado um julgamento em que era acusado de assassinatos e seqüestros. A Suprema Corte encerrou o processo sem punição em julho de 2002, por considerar que o ex-ditador não pode se defender, devido a uma demência moderada.
Lagos lembrou que "Pinochet foi processado, despojado de sua imunidade, e hoje não é uma figura política relevante".

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