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 Chile processa general acusado de homicídio
02 de setembro de 2003 14h25 atualizado em 10 de setembro de 2003 às 12h38

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O general da reserva Héctor Orozco, ex-procurador militar e diretor de Inteligência do Exército chileno, foi processado hoje como autor do assassinato de seis pessoas detidas em outubro de 1973, informaram fontes judiciais. A decisão foi tomada pelo juiz Daniel Calvo e também se estende ao coronel reformado do Exército Raúl Navarro Quintana e ao ex-suboficial Milton Núñez Hidalgo.

Em 1973, época dos fatos, Orozco era comandante do Regimento de Infantaria de Yungay, sediado em San Felipe, 88 quilômetros ao norte de Santiago. Em sua investigação, Calvo estabelece que, por ordem do general Orozco, seis pessoas foram retiradas à noite da prisão de San Felipe por uma patrulha militar que depois as executou. O juiz também determina que, do exame das seis ossadas, concluiu-se que, antes de executadas, as vítimas foram torturadas e atropelados por veículos militares.

As autoridades da época atribuíram as mortes a uma "tentativa de fuga" durante uma suposta transferência para outra penitenciária. No entanto, o "Relatório Rettig", que documentou as violações dos direitos humanos durante a ditadura (1973-1990), afirma que as seis pessoas foram "executadas irregularmente por militares do Regimento de Infantaria de Yungay". Nesse grupo, estava o ex-prefeito da cidade de Cabildo Mario Alvarado Araya, de militância comunista.

Os processados foram notificados hoje por Calvo e cumprirão sua pena no Batalhão da Polícia Militar, situado no Regimento de Telecomunicações, em Santiago. O general reformado Orozco também é acusado pelo desaparecimento do suboficial e ex-membro da Direção de Inteligência do Exército (Dine) Guillermo Jorquera, detido em 1978 quando tentava refugiar-se na embaixada da Venezuela em Santiago.

Jorquera era especialista em inteligência militar e, como tal, colaborou com operações anteriores ao atentado que matou o chanceler chileno Orlando Letelier, assassinado em Washington em 1976 por agentes da ditadura chilena (1973-1990), segundo o processo. O suboficial foi descoberto por seus superiores em 1977, quando era encarregado por investigações especiais no Ministério das Relações Exteriores, onde foi responsabilizado pelo extravio de documentos da Chancelaria relativos ao crime de Letelier. Por causa dessas acusações, Jorquera tentou se exilar na delegação venezuelana, onde foi detido pela polícia de guarda e posto à disposição do então procurador militar Orozco, sem que até agora se saiba de seu paradeiro.

EFE
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