Notícias » Mundo » Mundo

 Fórum Social termina com marcha popular e música
25 de janeiro de 2007 15h01 atualizado às 22h14

O Fórum Social Mundial (FSM), que reuniu milhares de pessoas durante seis dias em Nairóbi, teminou hoje com apresentações musicais e com uma marcha que partiu da favela de Kariobangi.

A manifestação popular que partiu deste empobrecido bairro do subúrbio de Nairóbi terminou no parque Uhuru, da capital queniana, onde aconteceu o encerramento do evento.

"Estão fazendo algo muito importante, estou orgulhoso de vocês", declarou o ex-presidente de Zâmbia Kenneth Kaunda, que depois entoou uma canção que foi acompanhada pela multidão: "Em nome da África, lutaremos e venceremos a aids".

O parque Uhuru estava cheio de cartazes. Em alguns deles eram lidas mensagens como "Vamos proteger o povo de Darfur", em referência à conflituosa região sudanesa, "Zona livre de dívida externa", ou "Pamoja tunaweza", que em suajili significa "Juntos podemos".

As apresentações de artistas como o queniano Eric Wainaina, muito popular neste país por causa das suas declarações de combate à corrupção, e do grupo saariano Estrela Polisaria deram o teor festivo à cerimônia.

Entre a multidão que dançava havia rostos de todos os continentes, além de pobres com roupas esfarrapadas e meninos de rua.

"Gostei de vir, pois aprendi muito, fiquei em dia, fiz contato com outras pessoas", disse à Efe Begoña Vitoriano, representante da seção espanhola da Associação pela Taxação das Transações Financeiras para a Ajuda aos Cidadãos (ATTAC, sigla em francês).

No entanto, Vitoriano disse que se sentiu "um pouco decepcionada" com o fórum: "Não senti que exista união e objetivos comuns. Vejo muita dispersão de idéias e esforços", declarou a ativista.

"Me dá a sensação de que os movimentos sociais africanos estão muito verdes. Há pessoas com muita esperança, mas que não têm os pés no chão", afirmou.

Outros, por outro lado, expressaram sua satisfação pelo fórum, como é o caso do vereador madrileno e secretário socialista de Movimentos Sociais e Relações com as ONGs, Pedro Zerolo, que participou de uma dezena de atos.

"O FSM estimula e consolida o tecido associativo global e progressista", disse à Efe Zerolo, que afirmou que este impacto alcança até a política, sendo que a prova é que as esquerdas latino-americanas "se nutriram de idéias (dos fóruns sociais) e das demandas cidadãs".

"Era imprescindível realizar o fórum na África, porque outro mundo só é possível caso inclua a África. É necessário superar o 'afropesimismo', um discurso que só é mantido por aqueles que continuam desejando que a África continue sendo um local de escravos", afirmou Zerolo.

Os organizadores não deram os números totais de participantes do encontro, mas nos dois primeiros dias foram registradas 46.000 pessoas.

O Fórum Social Mundial de 2007 foi o primeiro realizado integralmente na África, já que a edição do ano passado foi dividida entre Caracas (Venezuela), Bamaco (Mali) e Karachi (Paquistão).

Centenas de eventos, oficinas e expressões artísticas aconteceram durante os quatro dias nos quais o FSM debateu as propostas baseadas no lema do encontro, "Outro mundo é possível".

Entre as decisões tomadas por algumas das organizações participantes está a adoção de um dia de ação contra a guerra, que será realizado em 20 de março.

Também se decidiu dedicar uma semana, entre 14 e 21 de outubro, para a mobilização mundial pelo cancelamento da dívida dos países menos desenvolvidos.

EFE
EFE - Agência EFE - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização escrita da Agência EFE S/A.