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 Maratona encerra hoje Fórum Social Mundial
25 de janeiro de 2007 09h12

Uma maratona com atletas quenianos marca hoje o encerramento do 7º Forum Social Mundial, o primeiro realizado integralmente em continente africano, em Nairobi, capital do Quenia. Atletas quenianos e ativistas sociais de todo o mundo participam da corrida, que pretende chamar atenção sobre o respeito aos direitos basicos do ser humano. A maratona parte da favela Korokocho, a terceira maior de Nairobi, e segue até o parque Uhuro, no centro da cidade.

Mais de 50 mil pessoas sao esperadas para participar da cerimônia de encerramento e shows de musica e danca africanas. Organizadores do evento e ativistas, entre eles a ganhadora do Nobel da Paz de 2004, a ambientalista queniana Wangari Waathai, passarão a ultima mensagem do maior encontro da esquerda mundial, realizado entre os dias 20 e 25 de janeiro.

Apesar da falhas de organização, como alto preço das inscrições de delegados e precária conexão da Internet, o balanço do evento é positivo. "O Fórum não e simplesmente um evento que leva cinco dias e está encerrado. Trata-se de um processo, criado em Porto Alegre, há sete anos, e que vem se expandido, aproximando a sociedade para apresentar alternativas aos problemas mais criticos do planeta", destacou o empresário Oded Grajew, um dos idealizadores do encontro.

As entidades que participaram do 7º Fórum Social Mundial agendaram manifestações em todo o mundo. A primeira, contra a guerra no Iraque, será no dia 19 de março, data que marca quatro anos da invasão ao país árabe. Também foram marcadas uma série de protestos antiglobalização durante a reunião de Cúpula do G8, que ocorrerá em junho deste ano, na Alemanha.

Organizações também discutiram ao longo dos quatro dias do evento temas como saúde, educação, água, soberania alimentar, clima, comunicação, conflitos armados, entreoutros. Elas também encaminharam propostas práticas ao Conselho Internacional do Forum, que divulgará o material.

Oded Grajew, da organização do Fórum, destaca a presença da África nas discussões. "A criação da Rede Africana pelo Direito a Água é um exemplo. A sociedade civil passará a pressionar mais a comunidade internacional para enfrentar as questões do continente." Ele considera um ganho o simples fato de pessoas engajadas pela transformação do mundo entrarem em contato com a dura realidade africana.

"Outro exemplo é o alerta que o Fórum vem dando há vários anos para os riscos do aquecimento global. A ficha de que um novo modelo de produção e geração de riquezas no mundo parece estar, de fato, começando a cair. Com muitas poucas indústrias, a África já é muito afetada por mudanças climáticas. Diria que deveríamos mudar o nosso slogan de 'um outro mundo é possível' para 'um outro mundo é imperativo, ultranecessário'", lembrou Grajew. Aquecimento global é o principal assunto do Fórum Econômico Mundial, que começou ontem em Davos, na Suiça.

Ao longo de quatro dias, o Fórum de Nairóbi reuniu 64 mil pessoas, inscritas em cerca de 1,2 mil conferências, discussões, seminários e programas culturais. Mais de 9 mil pessoas visitaram o estande do governo brasileiro, patrocinado pela Petrobrás.

Redação Terra