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 Chilenos esperam um 11 de setembro sem violência
01 de setembro de 2003 17h36 atualizado em 10 de setembro de 2003 às 12h39

Os socialistas chilenos disseram hoje que esperam "um 11 de setembro sem violência", em referência aos atos que foram programados para a data, dia do trigésimo aniversário do golpe de Estado liderado por Augusto Pinochet. "Houve muito cuidado de todas as forças de esquerda para não assimilar a lembrança do sacrifício do presidente Salvador Allende com situações de violência", afirmou Gonzalo Martner, presidente do Partido Socialista, numa entrevista coletiva com a imprensa estrangeira.

Martner explicou que foram feitas reuniões com dirigentes do Partido Comunista neste sentido, para que esta data fosse comemorada "de forma respeitosa e muito ampla". No entanto, o presidente do PS reconheceu que um momento como este - os 30 anos do golpe militar - suscita paixões muito fortes de setores radicalizados, que muitas vezes são difíceis de controlar.

"Provavelmente há setores minoritários, acompanhados por jovens que participam com eles sem maior conotação política, e que seu único princípio é causar violência", ressaltou o presidente dos socialistas.

O ambiente este ano está mais perturbado no Chile, devido às reações provocadas por uma proposta do governo para avançar na solução dos problemas pendentes de direitos humanos. No último dia 21 de agosto, o governo voltou atrás em sua primeira intenção e autorizou passeatas no próximo dia 11 de setembro.

O ministro porta-voz, Francisco Vidal, explicou que os grupos que quiserem realizar manifestações poderão fazê-lo na Praça da Constituição, na frente do palácio de La Moneda, a partir das 13h locais (14h de Brasília), mas de forma separada para evitar tumulto.

A cada 11 de setembro, centenas de pessoas marcham perto do palácio do Governo, onde o presidente Allende morreu em 1973, durante o bombardeio da Força Aérea do Chile. Segundo o relatório Rettig, que em 1991 documentou as violações dos direitos humanos cometidas durante o regime militar, no Chile foram registradas 3.197 vítimas, das quais 1.197 correspondem a detidos desaparecidos.

EFE
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