Lagos foi entrevistado durante a visita oficial à Argentina que concluiu na sexta-feira passada. Lagos falou com o jornal, entre outras coisas, sobre a política de direitos humanos de seu Governo e do trigésimo aniversário do golpe de Estado que derrubou Salvador Allende da Presidência do Chile no dia 11 de setembro de 1973.
Lagos adiantou ao jornal argentino que o discurso que pronunciará nesse dia será uma reflexão sobre os avanços do país em 30 anos e quanto ainda falta avançar, com referências aos "dois presidentes na história do Chile, José Manuel Balmaceda e Salvador Allende, que se suicidaram". Além do discurso, Lagos informou que lembrará o aniversário com a abertura de uma das portas do palácio presidencial de La Moneda, a da rua Morandé, que foi fechada depois do golpe por ordem do general Augusto Pinochet. Era a porta por onde "entrava e saía o cidadão presidente" no início do século XX e também foi por onde saíu o corpo de Allende, disse. "Pareceu que era o símbolo do restabelecimento de nossas tradições republicanas", explicou.
Sobre a polêmica que cerca as comemorações do aniversário, informou que nunca haverá um acordo no Chile "sobre as causas" do golpe e assegurou que "não há uma história oficial". "Na discussão sobre o passado, alguns querem colocar ênfase nas causas e outros nas conseqüências. Para mim parece que ambos os elementos são legítimos", disse.
O presidente chileno, no primeiro dia de sua visita a Buenos Aires, declarou sua "admiração" pelo feito de seu colega argentino, Néstor Kirchner, em seus tês primeiros meses de governo, em relação aos direitos humanos. "O presidente Kirchner entendeu que neste âmbito tinha que apurar e lançou um conjunto de ações", disse Lagos que completou dizendo que o uso da palavra "admiração" foi para reconhecer o modo com que o governante argentino encarou um "tema duro e difícil".
Além de desejar que a justiça avançe, o Governo chileno tem como meta as "reparações" aos que sofreram, direta ou indiretamente, os atropelos do governo militar de Pinochet (1973-1990). Lagos também falou da chamada para uma maior coordenação entre os países latino-americanos nas negociações multilaterais e nos organismos internacionais.
Para Lagos, o importante é conseguir "claridade como bloco", porque só assim a América Latina poderá "fazer valer seu peso" em foros como a Organização Mundial do Comércio (OMC) e a Área de Livre Comércio das Américas (Alca).




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