"O grande responsável pelo fim da democracia em 1973 foi o presidente Allende e seu governo, porque correspondia a ele evitar que o país chegasse àquela situação", afirmou Zaldívar em entrevista publicada hoje pelo diário El Mercurio.
O político democrata-cristão, que foi um grande opositor do Governo de Allende (1970-1973), disse que a responsabilidade do governante, morto no Palácio de La Moneda no dia 11 de setembro de 1973, foi não ter buscado mecanismos para evitar o golpe militar que instaurou uma ditadura de 17 anos e deixou mais de 3 mil vítimas no país, das quais 1.192 correspondem a detidos desaparecidos.
Para Andrés Zaldívar, que foi parlamentar durante a administração de Allende, os partidos que faziam oposição ao Governo nessa época também têm responsabilidade no golpe. "Nós, os políticos da oposição, não fomos capazes de chegar a um entendimento (com o Governo) apesar do diálogo que se abriu, do espaço que o cardeal Raúl Silva Henríquez nos deu para que chegássemos a um acordo", afirmou. Disse que Allende sempre se negou a fazer um plebiscito para tentar resolver a crise política do país. "Allende apenas aceitou o plebiscito depois do inflamado discurso de Carlos Altamirano, no domingo 9 de setembro de 1973, mas já era tarde", afirmou o parlamentar.
Segundo Zaldívar, o discurso "inflamado" de Altamirano, que era secretário-geral do Partido Socialista e senador da República em setembro de 1973, foi o que detonou o golpe. O pronunciamento de Altamirano "incitou as Forças Armadas a se rebelar", adverte. Os políticos "estavam convencidos de que o golpe era inevitável", afirmou.




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