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 Chilenos protestam contra anistia a repressores
30 de agosto de 2003 18h38 atualizado em 10 de setembro de 2003 às 12h44

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Mais de 200 pessoas, conforme a polícia, participaram hoje de uma marcha pelo centro da capital do Chile em favor da anulação da lei de anistia de 1978, que inocentou os militares envolvidos em violações dos direitos humanos entre 11 de setembro de 1973 e março de 1978.

"Essa lei deve ser derrogada, os criminosos da ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990) devem ser condenados. É preciso acabar com a impunidade para os militares", afirmou Lorena Pizarro, presidente do Agrupamento de Familiares de Detidos Desaparecidos.

Pizarro liderou a marcha que culminou na Praça das Armas de Santiago, que também contou com a participação de organizações políticas, sociais e artistas. Os últimos realizaram um ato cultural na praça, junto a familiares de detidos desaparecidos e executados políticos, para comemorar o Dia Internacional do Detido Desaparecido.

"Hoje é uma data simbólica que o Chile tem o dever de comemorar por todos os crimes ocorridos na ditadura", disse Iván Carrasco, filho do jornalista José Carrasco, assassinado em 8 de setembro de 1986 em represália a um atentado frustrado contra o ex-ditador Pinochet.

A marcha e o ato cultural também foram realizados em solidariedade aos três filhos de detidos desaparecidos que há 13 dias fazem greve de fome em Santiago, em protesto contra "a impunidade" dos crimes cometidos na ditadura. Os pais de Fahra Nehgme, Pablo Villagra e Alberto Rodríguez foram assassinados durante a repressão do regime militar.

"Estão bem, pois são assistidos por dois médicos", comentou Iván Carrasco, que manifestou seu repúdio à proposta de direitos humanos apresentada no último dia 12 pelo presidente Ricardo Lagos, porque, segundo afirmou, "consagra a impunidade".

A iniciativa de Lagos concede imunidade aos militares que entregarem informações sobre desaparecidos e aos que tenham atuado como subordinados nos crimes cometidos durante a ditadura, além de compensações econômicas aos familiares das vítimas. "Reiteramos nossa rejeição à proposta do Governo, porque é imoral", ressaltou a titular do Agrupamento de Familiares de Detidos Desaparecidos, acrescentando que a poucos dias de completar 30 anos do golpe de Estado de 11 de setembro de 1973, liderado por Pinochet, o Chile não deve esquecer sua memória histórica.

Conforme o relatório Rettig, que em 1991 documentou as violações dos direitos humanos cometidas durante o regime militar, no Chile foram registradas 3.197 vítimas, das quais 1.197 correspondem a detidos desaparecidos.

EFE
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