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Acidente com submarino mata nove na Rússia

30 de agosto de 2003 02h31 atualizado às 15h07

Submarino nuclear ancorado em base naval, em agosto de 2000.. Foto: AP

Submarino nuclear ancorado em base naval, em agosto de 2000.
Foto: AP

Um submarino russo com 10 tripulantes a bordo sofreu um acidente no Mar de Barents, no Oceano Ártico, e apenas um marinheiro pôde ser resgatado com vida. A informação foi confirmada pelo porta-voz do ministério russo da Defesa, coronel Nikolaï Deriabine.

As equipes de resgate conseguiram também recuperar das águas os corpos de três tripulantes, e dentro do submarino podem ainda estar os outros seis marinheiros, sem esperança alguma de que estejam vivos. O submarino atômico "K-159" afundou por volta das 4h locais de hoje (21h de Brasília de ontem) a três milhas da ilha de Kildine, a uma profundidade de 170 metros.

"Infelizmente, somos obrigados a admitir o que os marinheiros nos comunicaram: que será impossível encontrar com vida algum dos sete desaparecidos", declarou o ministro russo da Defesa, Sergei Ivanov, no quartel-general da Frota do Norte.

O Kremlin reconheceu que o naufrágio ocorreu devido a distração e erros cometidos em sua rebocadura ao porto onde seria desmontado. Um funcionário de alta categoria revelou a causa do acidente. Segundo ele, durante a operação de reboque do submarino "foram violadas todas as regras imagináveis sobre segurança".

A fonte explicou que "o submarino havia sido preso de maneira errada aos pontilhões que permitiam seu transporte, que se desengancharam com a força das ondas".

O presidente russo, Vladimir Putin, apesar de encontrar-se na Sardenha convidado pelo primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, decidiu atuar rapidamente diante deste novo desastre naval e não como três anos atrás, quando, por suas dúvidas ante o naufrágio do "Kursk", foi chamado de covarde e pusilânime.

Da paradisíaca Costa Esmeralda, Putin deu ordens taxativas ao comando da Frota do Norte russa e ao Ministério da Defesa em Moscou para lançar uma "detalhada investigação" deste naufrágio, que custou a vida de nove marinheiros.

As ordens de Putin já tiveram seus primeiros efeitos, semeando o pânico entre os comandantes da Frota do Norte relaxados depois do terremoto que supôs na lista militar naval (com uma cascata de destituições) o afundamento do "Kursk" há três anos e a morte de seus 118 tripulantes.

Primeiro, Putin ordenou ao próprio ministro da Defesa, Serguéi Ivanov, que viajasse para Severomorsk, a base da Frota do Norte, para supervisionar as tarefas de resgate e as investigações. Em segundo lugar, a temível Procuradoria Militar russa começou a interrogar os oficiais da Marinha e já vários deles foram acusados de "violação das regras básicas de navegação".

O submarino "K-159" não operava desde 1989 e que estava sendo rebocado para ser desmontado quando ocorreu o acidente, provocado pelo rompimento dos cabos de reboque durante uma tempestade, o que desestabilizou a nave.

"O reator nuclear estava neutralizado e não havia munição atômica a bordo", garantiu o porta-voz. Outro oficial russo disse que "os trabalhos de resgate prosseguem na área onde o submarino naufragou".

O Mar de Barents está situado no Oceano Ártico, no norte da península escandinava e da Rússia ocidental. Há três anos, o submarino nuclear "Kursk" afundou no Mar de Barents, matando todos os 118 homens de sua tripulação, no maior desastre naval da história da Rússia.

Redação Terra