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 Chile não tem como identificar vítimas da ditadura
28 de agosto de 2003 18h43 atualizado em 10 de setembro de 2003 às 12h45

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O Serviço Médico Legal do Chile não tem meios suficientes para identificar os restos mortais de todas as vítimas da ditadura de Augusto Pinochet. A informação foi admitida hoje o diretor do organismo, Oscar Vargas. "Essa impossibilidade já foi comunicada a alguns familiares de presos desaparecidos", disse Vargas.

Conforme o administrador, nas dependências do organismo permanecem sem identificação os restos mortais de cerca de 150 pessoas, encontrados a partir de 1990 em fossas comuns ou covas clandestinas em diversas localidades do Chile. O grande problema do serviço é a escassez de evidências, pois em muitos casos há apenas pequenos fragmentos de ossos.

Nos últimos anos foi revelado que os organismos repressores da ditadura (1973-1990), em muitos casos retiravam os cadáveres das covas clandestinas e os jogavam no mar dentro de sacos. Essa prática começou em 1978, quando foram encontrados nos fornos de uma olaria abandonada os restos mortais de 18 camponeses assassinados por policiais militares após o golpe de Estado de 11 de setembro de 1973.

Conforme algumas denúncias, as remoções de cadáveres continuaram até depois da recuperação da democracia, em 1990. Segundo o relatório Rettig, que constatou as violações dos direitos humanos durante o regime militar, 1.185 detidos desapareceram no Chile, sendo que até agora pouco mais de cem foram identificados.

EFE
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