Notícias » Mundo » Mundo

 Chilenos opositores ao golpe de 73 exigem direitos
27 de agosto de 2003 21h06 atualizado em 10 de setembro de 2003 às 12h45

Duzentos ex-membros da Marinha chilena, condenados por terem se oposto ao golpe militar de 11 de setembro de 1973, pediram hoje a restituição do direito à pensão e a honra militar por parte da instituição e do governo. "Nestes 30 anos do golpe de Estado esperamos do governo e do comando da Marinha uma ação conjunta para limpar nossa honra militar e a restituição de nossos direitos", disse Víctor López, presidente da Coordenadoria de Exonerados da Marinha.

A organização possui mais de 200 suboficiais, que em sua maioria foram detidos antes do tumulto militar sob a acusação de traição por terem informado o governo do socialista Salvador Allende sobre a preparação de um golpe de Estado por parte da Marinha. López lembrou que foram detidos, em meados de agosto de 1973, sob a acusação de que se preparavam para "tomar a esquadra, matar oficiais e bombardear o porto de Valparaíso".

"A história demonstrou o contrário. O golpe de Estado foi iniciado na Marinha. Isso nos preocupou e achamos pertinente informar o governo legalmente constituído sobre esta conspiração. Nós só defendemos a Constituição", garantiu o dirigente em uma entrevista coletiva.

"Como resultado fomos detidos, torturados, depois presos por anos e muitos ainda permanecem no exílio", ressaltou López, que lembrou que dois marinheiros, que saíram da prisão e preferiram ficar no Chile, foram posteriormente assassinados por agentes do Estado. No processo contra os marinheiros, a Marinha acusou outros três dirigentes de partidos de esquerda que receberam as denúncias sobre o golpe.

"Após 30 anos de nossa detenção, a justiça ainda não foi feita. Nossas demandas por direitos civis e políticos ainda não foram totalmente resolvidos. Nossa honra militar e nossos benefícios ainda esperam por uma justa solução", afirmam em um comunicado.

López revelou que desde agosto do ano passado tiveram contatos informais com o comando da Marinha que deu uma boa recepção para suas demandas, mas no entanto, disse que estas boas intenções não se transformaram em ações concretas. Os marinheiros pediram para a Marinha seguir o exemplo da Força Aérea, que reincorporou seu pessoal exonerado em 1973 por terem simpatizado com o governo do presidente socialista Salvador Allende (1973-1990).

O Exército, por sua vez, também iniciou um processo de aproximação com estes militares. "O alto comando da Marinha mantém absoluto silêncio em relação às decisões tomadas pelos outros ramos das Forças Armadas que estão recompondo as relações com os membros exonerados, no caminho do reencontro institucional e da reconciliação nacional", diz a nota pública.

EFE
EFE - Agência EFE - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização escrita da Agência EFE S/A.