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 Advogado de Saddam pede investigação internacional
16 de janeiro de 2007 19h00 atualizado às 22h49

Giovanni Di Stefano, advogado de Saddam Hussein e de seus colaboradores Barzan al-Tikriti e Awad al-Bandar, pediu ao promotor-chefe do Tribunal Penal Internacional, o argentino Luis Moreno Ocampo, que abra uma investigação devido às supostas violações cometidas nos processos nos quais os três foram condenados à morte.

Di Stefano apresentou hoje em Roma a carta enviada ao promotor-chefe do Tribunal Penal Internacional, na qual descreve todas as supostas violações cometidas nos julgamentos contra Saddam e seus dois colaboradores.

O advogado dos ex-membros do Governo iraquiano disse que em 5 de janeiro tinha apresentado ao tribunal iraquiano um recurso baseado na lei do país, pelo qual se tem que excluir qualquer execução até 30 dias depois da notificação do tribunal de apelação, que chegou em 26 de dezembro do ano passado.

Segundo Di Stefano, ele visitou Tikriti e Bandar em 12 de janeiro, na base americana onde estavam presos, e disse que não haveria execuções até pelo menos 25 de janeiro de 2007.

Além disso, tinha pedido, como advogado de defesa dos acusados, poder estar presente no momento da execução, mas em 15 de janeiro os dois colaboradores de Saddam foram executados sem o atendimento a nenhum destes pedidos.

O advogado disse que, naquela ocasião, Tikriti lhe entregou uma carta para o secretário-geral das Nações Unidas, que hoje mostrou na entrevista coletiva, onde se observava que os condenados à morte podem pedir no Iraque a comutação da pena ao presidente do país.

Di Stefano disse que enviou ao gabinete do presidente do Iraque, Jalal Talabani, o pedido de comutação da condenação, mas que não obteve resposta porque, naqueles dias, o chefe de Estado estava em visita oficial na Síria e não se esperou sua eventual contestação.

O advogado acusa as autoridades americanas de ter pressionado para a realização de um julgamento rápido, a fim de esconder algumas provas, como os documentos relativos às supostas ações comerciais com o Iraque do Catar, Itália, Alemanha, França, Holanda e Reino Unido de 1983 a 1999, nos quais - disse - grandes empresas destes países proporcionaram materiais químicos ao país.

Di Stefano mostrou em um vídeo, gravado com seu telefone celular, os documentos "escondidos" pelos americanos aos quais pôde ter acesso e que provariam que as empresas venderam armas químicas a Saddam, e explicou que, dentro de alguns dias, revelará o nome das sociedades.

EFE
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