Em declarações ao "Channel 4", Hashemi, que hoje se reuniu com o primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, assegurou que o Conselho da Presidência iraquiana, do qual faz parte junto com o presidente do país, Jalal Talabani, não foi consultado antes dos enforcamentos.
"Não fomos consultados e fui surpreendido porque o Conselho da Presidência tinha apelado para que as execuções fossem adiadas", disse Hashemi em declarações divulgadas pela agência local britânica "PA".
O vice-presidente garantiu que, embora não pretendesse defender os dois condenados, tinha dúvidas sobre o julgamento.
"De fato, não me agrada como foi feito o julgamento e não me agrada como foi feita a execução", manifestou.
O meio-irmão de Hussein, Barzan al-Tikriti, e o juiz Awad Hamad al-Bandar, condenados à morte em 5 de novembro com o ex-ditador, foram executados esta madrugada em Bagdá na presença de um pequeno número de pessoas.
Algumas informações sugerem que Tikriti foi decapitado durante o enforcamento.
Tikriti era chefe dos serviços de espionagem em 1982, enquanto Bandar presidia o tribunal revolucionário que julgou e condenou à morte 148 xiitas da aldeia de Dujail em um julgamento sumário, por seu envolvimento em um atentado fracassado contra Hussein.
Um porta-voz de Blair afirmou hoje que o Governo britânico reiterou ao iraquiano até o último momento que se opõe à pena de morte, e insistiu que, em todo caso, as execuções deviam ser realizadas "de maneira digna".
Um representante do Governo iraquiano, Ali al-Dabbagh, garantiu hoje que as execuções respeitaram a legislação vigente.

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